31/10/2010

Salve o Dia das Bruxas!!!
ciganas
“Aonde os ciganos vão, eu sei que as bruxas estão.”


A frase é de Raymond Buckland, enviada pela amiga Sol. A gravura ressalta uma cigana exercendo a quiromancia em pleno Halloween. Provavelmente, pelo estilo melindrosa das vestimentas de ambas mulheres, o ambiente foi retratado para salientar a década de 20. Um charme de cigana e uma atmosfera de Bruxinhas no ar!

  • Valéria Fernandes

30/10/2010

Novidade

A partir de hoje, independente das postagens habituais que costumo fazer no blog Vida Cigana, todos os dias, e nos horários mais imprevisíveis, incluindo a madrugada, postarei uma imagem cigana para apreciação, conhecendo ou não a autoria.

Cigana Cartomante

A pintura cigana de estreia é uma obra de Dario.

  • Valéria Fernandes

28/10/2010

Adoro...

Adoro encontrar imagens ciganas bem trabalhadas, cujos ambientes ricos em detalhes valorizam ainda mais o conjunto da obra e incitam a melhor observação.

Cigana, ciganinha, belas ciganas, gitanas
As duas telas em exibição hoje têm a assinatura de Leon Francois Comerre, ambas evidenciam soltura, satisfação, ócio e sossego, distanciando-as do arquétipo previsível na atualidade no qual as gitanas jamais descansam e estão sempre aptas a dançar, jogar cartas, ler as mãos entre outros desafios. De forma alguma desmereço as ciganas de postura ereta, cabelos bem alinhados, adornos quase imaculados, apenas me dou o direito de fugir de um modelo perfeitinho que nem sempre condiz com a realidade. Embora o luxo ambiental das pinturas de Comerre possa parecer um contra-senso ao que me refiro, é válido refletir sobre naturalidade, atitude, vestimenta e adereços das ciganas, bem como as cores usadas nos trabalhos artísticos que dão tons de realidade.

Uma ótima contemplação para quem sabe estimar o valor cultural de pinturas como estas!
  • Valéria Fernandes

25/10/2010

Liberdade Cigana

É tão difícil encontrar imagens com ciganos circenses que ao ver esta gravura em cores vibrantes fiquei fascinada, então resolvi abrir espaço para apreciação da mesma, ainda que desconheça autoria.

A ambientação é em Istambul (a antiga Constantinopla), local cuja cultura exige que as mulheres vistam-se com recato exarcebado e cubram o rosto com véus, mas o que se vê ao tratar de uma mulher cigana é a quebra de mais um paradigma. A gitana traja-se de acordo com seus costumes, mostrando liberdade perante o cigano que a acompanha e também aos demais que assistem admirados sua apresentação.

Muito se fala em Liberdade Cigana, eis que a pintura exemplifica bem este tipo de atitude que evidencia quem não perde sua essência ou se deixa intimidar com padrões pré-construídos.

Opchá!

  • Valéria Fernandes

23/10/2010

Cigana Radja

Três ou quatro leitoras, não lembro ao certo, pediram-me informações sobre uma cigana chamada Radja, não respondi anteriormente por desconhecê-la. Ontem à noite, aparentemente do nada, senti uma cigana bem jovem próxima a mim, sua energia não era infantil nem adulta, diria que um meio termo. Tentei captar o máximo que pude de elementos sobre ela, mas não consegui muito, e o que obtive estou partilhando.
Primeiramente se apresentou como Cigana Radja, em seguida demonstrou gostar de cores fortes e com muito brilho, sem detalhar preferência por adornos ou vestimentas. Deixou claro que gosta de ouvir música, de dançar e de tocar pandeiro entre sua gente, também evidenciou seu apreço em receber oferendas de velas amarelas e frutas em um balaio.
A vibração desta cigana é de alegria com um misto de inquietude, pois a tranquilidade desaparece em meio a tanto vigor emanado por ela. Permaneceu pouco tempo comigo, não mais que meia hora, entretanto deu para notar que a Cigana Radja é temperamental e ousada. Da mesma forma impetuosa que chegou, partiu sem deixar vestígios.

Caso Radja apareça outra vez em minha tenda, tentarei lidar com seu jeito agitado de se manifestar, para então lograr melhor êxito sobre suas preferências. Quem sabe até extrair alguma mensagem de conforto, visto eu ter sentido falta!


  • Valéria Fernandes

20/10/2010

Qual é o baralho usado pelos ciganos?
-O povo cigano, prioritariamente as mulheres desta etnia, pratica a cartomancia há milênios, e nos tempos remotos, não havia essa quantidade de baralhos que hoje vê-se no mercado. O que atualmente é chamado de Baralho Cigano ou Tarô Cigano, na verdade são derivações do Baralho Petit Lenormand, criação de uma cartomante francesa não-cigana.


Será o Tarô, cuja estrutura é de 78 cartas, o baralho usado pelos ciganos? Sabe-se que este oráculo teve seus primeiros registros impressos na Europa a partir da segunda metade do século 14, entretanto, a cartomancia já existia antes dos tarôs darem seus sinais. Logo, conclui-se que os ciganos de todas as épocas antes da criação dos Tarôs não ficaram esperando o advento deste jogo e jamais deixaram de ler a sorte através das cartas. Então qual é o baralho usado pelos ciganos? Todos, ou melhor, os que estão disponíveis nas mais diferentes épocas!

Todos os baralhos disponíveis podem e são usados pelos Filhos do Vento. Desde o Baralho Comum que é composto por 52 lâminas, bem como os “novos na praça”, cuja maioria é constituída por 36 cartas, e o próprio Tarô que tem origem incerta e discutida até hoje. Cada um deles, quando bem explorados, dão excelentes resultados. E o Povo Cigano soube bem aproveitar estas variações para predizer o futuro como ainda o fazem.

E qual baralho oferecer aos Ciganos Espirituais? Este assunto fica para uma próxima postagem!


  • Valéria Fernandes
Desconheço autoria da gravura

17/10/2010

Sejamos iguais, embora diferentes

Ciganos ou não-ciganos, nascemos e crescemos com intuito de sermos felizes, de nos realizarmos enquanto indivíduos que almejam sempre o melhor, vivendo em sociedade, para assim crescer, aprender e partilhar. A intolerância de raça, credo e outras inflexibilidades existentes, são passos não dados em direção à concórdia, ao desenvolvimento íntimo e a expansão. Portanto, quem tem a vida pautada pelo amor e pela solidariedade, jamais esquece que não existem diferenças quando estas só têm a intenção de dividir e não de somar.

Sejamos mais tolerantes com quem e com o quê nos cerca, pois desta forma seremos co-autores de dias contagiantes e coloridos, sem ferir nosso espírito com as manchas nebulosas da escassez de sentimentos que em nada contribuem para a melhoria dos que estão em volta.

Também não sejamos tolos ao imaginar que a postura tolerante, bem como a ausência de preconceitos, são atos de benevolências para como o próximo. Estejamos conscientes de que somos parte de um universo cuja essência não tem divisórias, e as que são perceptíveis, foram criadas do homem para o homem. Sejamos iguais, embora diferentes em incontáveis perspectivas!
ciganos
Uma semana de luz e igualdade para todos!!!

  • Valéria Fernandes

    Desconheço autoria da gravura

12/10/2010

Criança Cigana

Ao longo deste período que venho compartilhando minhas experiências neste blog, costumo atender a vários pedidos de leitores sobre diversos ciganos do universo astral, entretanto, poucos buscaram informações sobre entidades que se manifestam em roupagem infantil ou na terceira idade. E por falta de intimidade com estes “pequenos iluminados”, em tempo algum tomei a iniciativa de relatar sobre o assunto. Acredito que daqui para frente eu possa ter um novo referencial para dividir com quem tenha interesse

Na quarta-feira passada, 6 de outubro, de súbito incorporei uma menininha que me encantou. Meiga, e com alegria contagiante, deixou meu coração com suavidade sem igual. Acredito que surgiu para adoçar ainda mais a minha vida e daqueles que se beneficiam do meu trabalho espiritual. A Ciganinha é sapeca, cheia de vigor, porém educada e serena. Demonstrou gostar bastante das minhas vestimentas ciganas de adulta, sem perder sua essência infantil. Foi mágico ter sido conduzida pela leveza desta menina que distribuiu sorrisos e também os doces que ganhou.

Ainda não posso afirmar se continuarei a recebê-la em minha coroa, mas sei que uma nova amizade já se delineou. E no que depender de mim, tentarei conhecer seus gostos e costumes para partilhar mais este aprendizado.


Um belo presente próximo ao Dias das Crianças, não foi mesmo?!

Opchá!!!!
  • Valéria Fernandes

09/10/2010

VVA fé é a única chama que não se apaga nunca

Diante de um jardim belo, coberto de roseiras perfumadas, o dono do jardim as espera florescer. Não pensa na quantidade enorme de espinhos que seu tronco possui, toma cuidado com eles, mas espera o florir das rosas. Quando uma única rosa brota, enfeitando toda aquela roseira cheia de espinhos, o dono do jardim olha, avidamente, outros que podem surgir, sabendo que serão rosas a enfeitar amanhã.

Nós trazemos cravados na alma muitos espinhos do ontem, mas somos rosas, na essência sublime de Deus; nós também vamos florir em alegria. Se essas alegrias são poucas e as dores são muitas, alegrias aconteceram em nossas vidas e alegrias acontecerão sempre. Mesmo que sejam momentos, dias, algum tempo, mas como as roseiras, o sorriso brota, a paz chega e nós nos transformamos num canteirinho de paz.
Mas, existe o tempo, às vezes longo, em que só permanecem espinhos, o vendaval da dor assola e as pétalas de nossas esperanças, de nossas alegrias, caem pelo chão. Mas, não devemos nos esquecer de que essas pétalas caídas serão adubo amanhã. Esse adubo precioso que mantém nosso espírito vivo, que mantém a roseira forte, que mantém a possibilidade de ela florir.
Nós trazemos muitos compromissos assumidos de vidas passadas, não podemos deixar que o desânimo, a tristeza, a desesperança nos domine. Porque só receberemos, realmente, um auxílio completo, à medida em que tivermos total confiança no alto. Aí sim, será possível Jesus nos estender as mãos e nós, desse amor imenso, desse grande médico de Deus que foi o mestre, recebermos a ajuda de que precisamos, lembrando de que toda a dor é cura para nossos corações, que toda separação é prognóstico de união, que todas as experiências são bênçãos preciosas que amealhamos no espírito.
Por isso, mantenham a chama da fé sempre acesa. A fé é a única chama que não se apaga nunca.

Bezerra de Menezes

Desconheço autoria da imagem

06/10/2010

Cigana Samara e o Elemento Fogo


No dia 05/03/10, com ilustração da pintora Maria do Carmo da Hora, escrevi um pouco sobre a Cigana Samara, hoje volto falar sobre ela com intuito de agradecê-la por ter me ajudado sem que eu soubesse ou sentisse.

Esta bela Cigana, cujas vibrações são sentidas mais fortemente entre as chamas flamejantes das fogueiras, dos bastões em brasa ou pelas fagulhas de velas, dias desses, na calada da noite, esteve em minha tenda e evitou que minha tsara se transformasse em cinzas.
Em meu altar é constante a presença de velas, jamais o deixo sem iluminação que seja do agrado de meus guias, e, em uma determinada noite (cinco dias atrás), havia uma vela de sete dias com as sete cores do arco-íris consumindo normalmente, tanto que, antes de dormir fui ao meu sagrado cantinho, fiz minhas orações e nada notei de errado, mas quando acordei a vela estava apagada. Achei estranho, troquei a vela que estava pela metade e prossegui meu dia de trabalho. Por volta das 17:00h uma amiga que também é médium me telefonou e contou que “sua cigana” havia passado aqui na noite anterior para me livrar de uma situação perigosa. Fiquei perplexa e contei para minha amiga sobre o acontecido, e juntas, constatamos que fui agraciada com a intervenção da Cigana Samara.
Diante dos fatos, agradeço mais uma vez esta bela Cigana que transita pelo fogo e impera entre as salamandras. Agradeço do mesmo modo à minha querida amiga Ana Júlia por manter-se em plena sintonia espiritual comigo.

Opchá Cigana Samara e sua protegida!!!

  • Valéria Fernandes

02/10/2010

Estrela Guia
As estradas da vida são árduas, repletas de caminhos nebulosos, mas cada um de nós tem uma Estrela Guia que resplandece nos recônditos de nossas almas, não permitindo que nos percamos em meio à trajetória traçada. Quando a Estrela parecer não cintilar, saibamos fazê-la reacender, nutrindo bons pensamentos e conduta positiva, pois não lugar que não possa ser alcançado quando a luz interior flameja prioritariamente.


Um mês iluminado a todos!
  • Valéria Fernandes

Desconheço autoria da imagem

29/09/2010

Los Gitanos


Busquei uma forma de homenagear os ciganos de origem espanhola por estarem muito próximos a mim como mencionei, porém descobri que seria uma difícil tarefa, visto as energias individuais destas entidades revelarem aspectos bem diversificados. Então, para fazer jus a estes queridos, mesmo que em parte, exponho hoje no Vida Cigana 13 telas com a temática, todas pintadas pela artista plástica espanhola Judéia Heredia.

As pinturas de Judéia parecem retratos de almas com um quê de melancolia, de dúvidas e de questionamentos, as quais revelam igualmente expressões fortes e marcantes. As telas mostram mulheres gitanas que pensam, que parecem capazes de refletir horas sobre a própria trajetória, sem perder a ternura e sensualidade. Algumas das ciganas sugerem delicadeza, outras determinação, e como traços comuns, têm a vaidade vista em seus adornos e vestimentas vibrantes.
Gitanos
Os homens gitanos revezam-se entre olhares fugidios, firmes, carismáticos, angustiados ou despretensiosos. Indicam, sobretudo, pessoas comuns, em pleno caminhar de suas jornadas. Sendo apenas personagens da imaginação da pintora, esta não poupou esforços com a verossimilhança no que pinta e no que pode realmente existir. Cabeleiras grandes, por vezes em desalinho, roupas inesperadas ou em tons acentuados dão impulso, caráter e comunicam a vitalidade das obras. Cordões, pulseiras, múltiplos anéis e as tatuagens esboçam uma suposta história de vida de cada cigano.
Ciganos e Ciganas











Desconheço as pretensões de Judéia Heredia ao retratar a etnia cigana, mas é notória sua preocupação com a estética autêntica, limpa do subterfúgio que precisa embelezar a mais do que é visto ou sentindo.
  • Valéria Fernandes

26/09/2010

Cigana Dália de Andaluzia

Havia mencionado em postagem anterior que alguns ciganos de origem espanhola andam me sondando, e como não tenho intenção de questioná-los dos porquês, decidi me abrir para mais esta experiência, absorvendo assim a energia que me circunda nos últimos tempos.

Não tardou para se aproximar uma cigana de postura ereta, gestos determinados e expressão inigualável. Seu nome é Dália, nascida em Andaluzia e radicada em Paris/França. Optou por não seguir a vida nômade junto com os seus, posto ter almejado estudar artes plásticas e abraçar a vocação que cedo descobriu, e, segundo ela, entre sua gente, jamais teria condição de se dedicar à sua difícil escolha de vida.

A Cigana Dália acredita que até hoje seu povo não a entendeu, mas deixa claro que nunca escondeu ou negou suas raízes, longe disso, orgulhava-se dos costumes ciganos e nutria sua alma com o aprendizado que teve entre sua gente. Após muitos anos de situações difíceis e embaraçosas, até mesmo sentindo a dor da solidão, Dália conquistou seu lugar ao sol; tornou-se uma pintora como queria, casou e constituiu família.

Fina e educada, Dália demonstra claramente seu gosto pelo requinte, aprecia vestimentas de luxo, frutas secas e um bom vinho. Tintas e pinceis não fazem mais parte de seus apegos atuais, evidencia preferência por perfume francês, velas aromáticas em castiçais dourados, lenços de renda e xales bordados com pedrarias. Também fica feliz ao receber em oferenda licor de menta, panetone, rosas vermelhas e maquiagem. Trabalha para auxiliar quem por ela chama na prosperidade, isto devido ter tido uma vida abastada depois de tantos sacrifícios.

A vibração desta Cigana é forte e ao mesmo tempo chega a ser sutil. Por mais envolvente que seja, não demonstra a sensualidade comum inerente nas mulheres ciganas, e sim uma grande disposição em mostra-se interiormente, dando o recado de alguém que soube lutar para conquistar seu espaço. No instante que se mostra assim, Dália parece esquecer sua predileção pelo refinamento.

Esta retratação da Cigana Dália feita por Maria do Carmo da Hora já está comigo há algum tempo, mas não conseguia absorver nada destes enigmáticos olhos azuis. Hoje sei que tive que esperar o momento oportuno para saber um pouco que seja desta bela Cigana que teve uma vida tão peculiar.
  • Valéria Fernandes

25/09/2010

Opchá!!!

Ontem, 24 de setembro de 2010, o blog Vida Cigana bateu record de visitações, atingindo uma marca bastante expressiva; fato este que me deixou feliz e honrada, pois é do conhecimento comum a grande quantidade de blogs e sites com a mesma temática. Costumo falar que há um blog cigano a cada “esquina da net”, portanto, devo acreditar que estou trilhando o caminho certo, coerente com o que exponho e com a espiritualidade que me assiste.
E como a marca ultrapassada não é um feito meu, devo agradecer a cada uma dos leitores que costuma prestigiar o Vida Cigana, me comprometendo a fazer sempre o melhor, seja no que diz respeito à espiritualidade, a informação, à beleza, aos encantos e magias deste Povo Sem Fronteiras que muito amo e respeito.

Nais tuke, atchen Devlessa!!! (Obrigada, fiquem com Deus!!!)

Opchá!!!

Valéria Fernandes

24/09/2010


"Eu preferiria ter uma mente aberta pelo mistério que fechada pela crença." Gerry Spence

Pintura Cigana de J. Moura

20/09/2010

Cigano Manolo

Ultimamente os ciganos de origem espanhola andam me rondando e não tenho ideia do motivo, mas desejo abrir um parêntese para falar de um cigano de origem italiana que muito me comove. Trata-se do Cigano Manolo, um velho barô de sensibilidade singular para entender a alma humana.
Ciganos
A primeira vez que Manolo me visitou foi no dia 31 de dezembro de 2009, ocasião que parei a consulta de tarô que estava em andamento para dar um passe na minha consulente que demonstrava grande aflição com seus problemas em família. A desordem e discórdia estavam instaladas na casa dos pais da moça de 30 anos que se consultava, e pelo tarô identifiquei um amontoado de magias refletindo ativamente na desunião do casal. Na hora do passe o Cigano Manolo chegou e interveio para esclarecer algumas dúvidas que eu me recusava em acreditar por intermédio das cartas. Ele afirmou que a responsável pelas mazelas dos pais da jovem era sua avó paterna que desejava a todo custo separar o filho da nora, disse ainda que a casa de seus pais se encontrava cheia de feitiçarias. Com carinho e cuidado Manolo me instruiu como desfazer as magias, visto a complexidade da situação não poder ser resolvida com passes. A consulente confirmou o desafeto de sua avó paterna por sua mãe, admitindo de imediato o “diagnóstico” de Manolo e aceitou as dicas do sábio Cigano.

Após dar as instruções, o Cigano Manolo falou de mim e ao meu coração. Era um desvelo tão grande para comigo que me emocionou. A energia deste Cigano emanava paz, bondade, simplicidade e grande sabedoria. Como não poderia deixar de ser, fez algumas previsões e se fez conhecer um pouco mais. Disse ser protetor de seu clã quando em passagem neste plano, mostrando ter a missão de auxiliar os lares dos que agora estão na Terra. Falou sobre justiça, sobre amor fraternal e sobre os longos anos que viveu feliz entre seu povo e suas caravanas. Depois abençoou o meu trabalho, minha tenda, minha vida e minha consulente, partindo de forma serena como chegou.

Desde então passei a orar para o espírito do Cigano Manolo com o mesmo zelo que tenho pelos meus guias. Não costumo chamá-lo assiduamente para trabalhar, mas quando o faço, ele vem com sua mansidão e sensatez. Jamais demonstrou apego às coisas terrenas. Para agradá-lo em oferenda basta uma vela amarela.

Observação: não citei este cigano antes aqui no blog por falta de ilustração para acompanhar o texto, pois ciganos idosos e do sexo masculino, raramente são retratados. Encontrei esta imagem e logo tratei de digitar os traços de minhas lembranças como forma de homenagear meu querido Cigano Manolo, o derradeiro presente do ano de 2009.
  • Valéria Fernandes

Pintura Cigana de Rita Andrade

17/09/2010

Elementos da mesa para o jogo de cartas ciganas

Não é de agora que me perguntam qual a maneira mais adequada de preparar uma mesa para jogar cartas ciganas, e como acredito que não existe uma fórmula correta, posto ser algo pessoal, vou me ater apenas a dar sugestões.

- O primeiro fator que deve ser considerado é a cor da toalha da mesa, esta pode ter qualquer nuance ou estampa, desde que não atrapalhe a visualização das lâminas quando em posição de leitura. Cores lisas e tons mais fechados ressaltam muito bem as cartas: vermelho bordô, vinho, roxo, azul marinho. As cores claras suavizam o ambiente, porém tiram um pouco da vivacidade do lugar. As estampadas têm muita informação e podem se confundir com as ilustrações das cartas, mas para este caso o recurso de sobrepor uma outra toalha lisa e menor na parte central da mesa dá um aspecto limpo e elegante, sem tirar o colorido. Toques dourados ou prateados nas bodas de tolhas lisas também dão certo requinte.
- Para quem gosta de usar velas durante o jogo, o ideal é acender somente uma para não esquentar o recinto e nem incomodar o consulente com calor e fumaça. A cor da vela pode ser a da preferência da cigana(o) que protege e intui o cartomante (quando este tem um guia), como pode ser qualquer outra que a intuição mandar. Velas e castiçais pequenos são mais aconselháveis para uma mesa de jogo, acabam rápido e tomam pouco espaço.

- No que diz respeito a incensos, estes devem seguir a mesma linha de raciocínio do uso de velas: conforme o gosto da cigana(o) ou pessoal. Contudo, a fumaça muito próxima ao consulente é incômoda, podendo ocasionar alergias. Bem mais elegante seria acendê-los em outro local que não seja em cima da mesa do jogo.

- Pedras, cristais e moedas são bem-vindas, assim como pequenos amuletos, desde que não limite demais o campo de atuação. Se houver uma bola de cristal, seria de bom tom esta não chamar mais atenção do que as próprias cartas, pois não é a estrela da vez.

- É comum o uso de punhal em uma mesa de jogo cigano, no entanto, quando se faz atendimento a pessoas desconhecidas, deixar uma arma por perto é correr um risco desnecessário. Nestes casos o recurso tradicional de colocar o punhal sob a toalha como proteção de fluidos negativos revela sabedoria e prudência.

- Muitas pessoas usam uma taça ou um copo com água para purificar o local e reter pretensas energias negativas, todavia, estes podem ser colocados em outro móvel do mesmo espaço para não amontoar a mesa do cartomante. Outro fator a ser considerado é o risco de derramar água sobre as cartas, podendo estragar o baralho se não for impermeável.

- Imagens e bonecos ciganos dão graça, cor e estilo enquanto paramento, mas fica bem melhor quando usados em miniaturas.


Muitas alternativas existem para serem usadas na mesa de um jogo cigano, porém, o principal é ter o toque do cartomante conforme suas crenças ou seu gosto por decoração.
  • Valéria Fernandes


    Pintura Cigana de Rosana

13/09/2010

Senhora Cigana

Há quase um ano, estava visitando um Centro de Umbanda cujo proprietário tinha certo apreço por mim, e por conta desta estima, o mesmo incorporou uma cigana na certeza de me agradar, e agradou. Mas para minha surpresa a Cigana veio me pedir desculpa por não ser jovem; fiquei chocada com o que ouvi! Por que eu não gostaria dela? Amo e respeitos todos os ciganos, independente de suas idades, preferências ou modo de trabalhar. E ainda clamo pela sabedoria daqueles que viveram mais dentro de minha tenda.

Conversei com a Cigana e desfiz tão mal entendido, expondo minha real visão sobre o assunto e tudo correu na santa paz. Ao chegar em casa o fato ficou martelando em minha cabeça e só após algumas horas a resposta veio em minha mente como insight: o médium interferiu com seu modo pequeno e preconceituoso de lidar com a não-juventude.

Sei que é comum um médium intervir na fala das entidades e até certo ponto entendo os motivos, porém, aceitar que alguém utilize deliberadamente seus pensamentos mesquinhos para falar por uma entidade cigana ou não chega a ser abusivo. Portanto, ao lidarmos com a incorporação alheia é bom estarmos com ouvidos atentos e coração limpo, pois desta forma teremos melhor capacidade para discernir o que é carne e o que espírito.
  • Valéria Fernandes

Pintura Cigana de Roberto Zamora

12/09/2010

A Música Cigana Brasileira

No Brasil, apesar da presença dos ciganos desde o século XVI, eles têm pouca influência em nossa música popular. Aqui, o estilo de música cigana mais tocada é a Kalderash, própria para dançar com acompanhamento de ritmo das mãos e dos pés e sons emitidos sem significação para efeito de acompanhamento. Esse tipo de música é repetida várias vezes enquanto as ciganas dançam. Alguns outros clãs de ciganos no aqui no Brasil conservam a música tradicional dos ciganos húngaros, um reflexo do estilo de música do leste europeu com a influência do violino, que é um dos símbolos mais tradicionais nas músicas ciganas.
Ritmos ciganos no Brasil:

- O ritmo Baladi que vem do Egito envolve movimentos com objetos ciganos. Alguns movimentos envolvem lenços, punhais, espadas, adagas, potes de água e até mesmo garrafas de bebidas nas mãos.
- A Zapaderin, dança secreta das ciganas, que invoca o amor do cigano.
- Manouche e Sinti é o ritmo que traz do íntimo da mulher a sensualidade, a alegria e a beleza de sua força interior.

Texto extraído da Embaixada Cigana do Brasil Phralipen Romani

Pintura Cigana de Nicolay Bessonov

09/09/2010

Espiritualidade Cigana

Dia desses, ao ler uma canalização feita por mim aqui no blog e depois toda a justificativa que dei sobre a mesma, uma grande amiga que já conhece meu modo de lidar com a espiritualidade cigana, fez-me uma pergunta bastante oportuna, pelos menos ao coração. Indagou sobre os meus sentimentos, ou seja, ela queria saber que sensações tenho ao canalizar a energia de um cigano (a) do mundo espiritual.

Em primeiro momento pensei que o tema não despertasse interesse aos demais, até ser questionada novamente dias depois por uma leitora do Vida Cigana a qual se fez conhecer via e-mail. Então decidi me expressar aqui sobre o assunto, atenta a esclarecer detalhes não ditos a ambas por falta de oportunidade quando me abordaram.

Sinto uma profunda alegria quando estou em contato com um espírito cigano e uma redoma de energia é formada ao meu redor, protegendo-me do que está em volta. Meus sentidos se ocupam somente por irradiações que me deixam em êxtase; é pura adrenalina de início, depois tudo se acalma e uma onda de tranquilidade e paz invadem o meu ser. Porém, de súbito sou levada a fazer pequenos rituais como acender velas, incensos, borrifar perfume no ambiente, tocar em lenços, tiaras, cartas ou até mesmo nos dados de “Meu Cigano” ou em um de seus muitos anéis. Passado este momento, me digno apenas a receber a mensagem sem lembrar que existe outro tipo de vida senão à cigana; dou atenção àquela vida espiritual que está ao meu lado. Experimento sensações diferentes: ânimo, contentamento, encanto, frio, calor, arrepios, secura na boca, leves tonturas, falta de norte e outras bem particulares, de acordo com a entidade ao meu lado. Entretanto, o que sinto de mais forte é gratidão. Tenho vontade de agradecer muito a todos os Ciganos de Luz e o faço muitas e muitas vezes em pouco espaço de tempo. É uma gratidão tão imensa que não há como mensurar com palavras ou falas. Agradeço o carinho e cuidados de cada um, citando primeiramente os guardiões da minha tenda, o Cigano Ramirez e a Cigana Esmeralda, após rogo a Deus e a Santa Sara Kali pela evolução deles e dos outros ciganos que em minha tsara aportam. Também sinto a necessidade de agradecer de forma intensa em particular “o visitante” por confiar a mim e aos meus guias sua história.

A energia pela qual sou envolvida no começo da canalização é muito forte nas primeiras duas horas, depois, aos poucos, vai se dissipando, mas só deixa de existir após eu terminar de redigir “o texto” e entregar verbalmente em meu altar mais uma missão cumprida. Em uma frase diria que “sinto-me grata e honrada por ser reflexo de luz da Espiritualidade Cigana”.

  • Valéria Fernandes
Desconheço autoria da pintura

06/09/2010

Cigano Pietro

Este é um dos mais recentes trabalhos da pintora Maria do Carmo da Hora, trata-se de Pietro, um lindo cigano que parece carregar consigo os segredos do céu e do mar dentro dos olhos.

A postura do Cigano Pietro descontraída, recostado em uma árvore e à beira de uma estrada, não esconde a altivez e o vigor que a pintora conseguiu captar. A retração deixa clara sua preferência por adornos, e, principalmente por anéis com pedras, já que Pietro usa dois destes acessórios. O gosto pelo vinho também está salientado, bem como sua habilidade com o punhal, embora não esteja fazendo uso do mesmo.

Em pausa ou não para pernoitar, posto os cavalos estarem sem rédeas, é certo que lá atrás, próximo ao vagão, há uma cigana vestida com uma saia de sete cores. Será a Cigana Sete Saias a companheira do encantador Cigano Pietro nesta jornada? Somente os verdejantes campos e a lua que apontou no céu testemunharam como cúmplices este mágico momento!
  • Valéria Fernandes

04/09/2010

Cigana Dalila

*Em passagem por este plano, a Cigana Dalila gozou de vida breve, partiu por volta de seus 19 ou 20 anos. Desde criança a meiga Cigana havia sido prometida para um cigano conforme os costumes de seu povo, entretanto, pouco antes de seu casamento, foi picada por uma cobra próximo ao seu acampamento e agonizou por longas horas. Ao ser encontrada desfalecida, todo seu clã se reuniu para tentar salvá-la, mas não houve kakus (feiticeiros), benzeduras ou rezas que conseguissem mudar tão triste sina, era sua hora.
Quem trabalha com esta Cigana sabe o valor da luz, alegria e espontaneidade que a mesma transmite. É leve, gosta de dançar e saltitar quando incorporada, apresenta-se com ares juvenil. Tem preferência por cores suaves, mas não dispensa o colorido. É faceira, porém deixa os médiuns à vontade quanto aos acessórios e vestimentas. Não costuma pedir bebida, contudo, se a oferecem vinho, ela toma com prazer. Ao ser solicitada para fazer magias a Cigana Dalila chama pelo espírito de seu amor para que trabalhem juntos. Diz gostar de ler cartas, mãos e de tocar banjo para harmonizar os ambientes em que ela aporta. Em consulta, ensina banhos de limpeza espiritual e dá dicas de simpatias para o amor, apregoando a fé em Santa Sara Kali. Quando ouvida a respeito de sua encarnação passada, Dalila conta que seu prometido fazia-lhe serenatas ao som de violinos à beira de uma fogueira, e em retribuição ela mostrava a banjoísta que era, dedilhando suavemente pelas cordas de seu instrumento que somente ela tocava em todo seu grupo.

As cores de velas da Cigana Dalila podem ser rosa ou amarela. Satisfaz-se quando recebe baralhos em oferendas ou alguma peça de valor afetivo da pessoa que está pedindo seu auxílio. Da mesma forma fica contente quando ganha fitas coloridas e pandeiro em forma de lua.
  • Valéria Fernandes

Pintura Cigana de Egron Lundgren

01/09/2010

Filho do Vento
Caminho pelo tempo, sou filho do vento,
A Estrada é minha morada,
Pelas estrelas eu me guio,
A relva é minha cama,
E sob a luz da lua eu descanso ao relento.


Nesta minha jornada, muitos amigos venho fazendo,
Pois falo de vida, de amor e de sentimento,
Para aqueles que de mim não gostem,
Peço a Pai Maior que lhes de um alento,
Pois nesta vida nada lhes trará de bom,
A quem nutre tal sentimento.
Sou Cigano sim,
E com muito orgulho ostento,
A bandeira de meu povo,
Que por mais sofridos, por preconceitos somos,
Trazemos aos que se aproximam,
A alegria, o amor, o carisma e o orgulho
Em sermos Filhos do Vento.
E aonde tiver um cigano a caminhar,
Com certeza a alegria e o amor, juntos vão estar.
Ciganos
Poema de Walter Cigano

Desconheço autoria da imagem

29/08/2010

Cigana Lola – Uma canalização

Ao escrever sobre alguns espíritos ciganos, por vezes não elucido de onde advém meu conhecimento sobre determinadas entidades, ou seja, se os conheço por meio de pesquisas ou através de experiências mediúnicas. Fato é que quase sempre me entendo com “eles”, mas desta vez fui cobrada a me explicar.

Na postagem anterior, da qual falei sobre a Cigana Lola, fiz uma canalização, e por cuidados ou pudor, não contei que foi Lola quem me “soprou” sobre seu trajeto em Terra e no Astral, isto com a permissão dos ciganos que me assistem.

Em plena tarde deste domingo (29/08), minha ilustre amiga Antoniêta Bonfim me ligou do Maranhão contando que, desde o momento em que viu a postagem de Lola, a Cigana não saiu mais de perto dela. Antoniêta também é médium e Lola alegremente a fez criar um poema em seu louvor. Pouco antes de nos despedirmos ao telefone, Lola veio me fazer outra visitinha para pedir que contasse tais acontecimentos em público e afirmar que ela é “A Cigana” que Antoniêta desejava desvendar. Cá estou dando as explicações solicitadas, e claro, convidando os leitores a apreciarem o “Cântico à Cigana Lola” por meio da poetisa Antoniêta Bonfim de Andrade. Ressalto que Lola revelou para minha amiga seu prazer em cantar na hora da dança, e creio que a cada dia irá afastando seus véus até se fazer conhecer intimamente.
  • Valéria Fernandes


Detalhe da Tela de Maria do Carmo da Hora

25/08/2010

Cigana Lola

Nascida na Romênia e criada na Espanha, a Cigana Lola foi destaque entre os seus. Muito cedo mostrou aptidão pela dança e paixão pelos aplausos. Costumava fazer apresentações entre gadjos (não-ciganos) e conquistou fama em solo espanhol. Era temperamental, no entanto, respeitava os costumes de seu povo, chegando a casar com um cigano que seus pais escolheram sem fazer nenhuma objeção, mesmo não estando apaixonada. Dominava o sapateado, mas preferia rodopiar descalça em praças e tablados com véus coloridos e saias rodadas. Os vestidos que esta cigana usava eram requintados e arrematados com pedrarias. Carismática, conquistava a todos com seu sorriso e encanto, demonstrava claramente suas habilidades em chamar para si as atenções. Sua graciosidade podia ser notada pelo respaldo que tinha em lotar os lugares por onde se apresentava.

Quando o espírito de Lola chega em Terra faz honrosa saudação à Santa Sara, logo após pede véus, lenços ou xales de cores vivas. Gosta de se enfeitar com brincos grandes, braceletes e vários anéis. Sua bebida predileta é vinho branco, mas aceita champanhe ou coquetel de frutas com o mesmo apreço. Sente prazer em cantarolar, e quando conversa, nota-se certo sotaque espanhol.
A Cigana Lola se mostra determinada, altiva e cheia de vigor. Adora chamegos e paparicos, diz ser uma artista no qual sua estrela jamais será ofuscada. Para agradá-la em oferendas faz-se com rosas e velas vermelhas, perfume e incensos com essências florais, xales e véus em tons vibrantes. Seus encantamentos são direcionados para quem busca sucesso e fama, seja no âmbito social ou profissional.
  • Valéria Fernandes

Pintura Cigana de Maria do Carmo da Hora

23/08/2010

Leitura de Mãos


Ler a buena dicha (sorte) através das mãos é um dos mais propagados dons das mulheres ciganas, entretanto esta é a única ilustração que conheço que revela este tipo de predição. É comum encontramos ciganas com cartas, com bola de cristal, com velas e até mesmo usando um pêndulo, mas me parece que a quiromancia foi esquecida pelos artistas que retratam a cultura cigana. Em todo caso, fica a dica para quem trata do assunto!
  • Valéria Fernandes

Pintura Cigana de Nicolay Bessonov

20/08/2010

Moda Cigana

Algumas leitoras já haviam me pedido para postar modelos de roupa cigana, e sempre as respondia que se inspirassem nas centenas de pinturas que existem no blog, uma vez que os artistas que exponho prezam muito os pormenores em suas telas, dando-nos inspiração suficiente para extrairmos exemplos. Mas, por sorte ou providência divina, encontrei estes belíssimos desenhos com temática direcionada para o deleite de todos nós.



É bom saber que há pessoas como Paula Dunguel que, por amor à cultura em geral, doa seu tempo criando também figurinos ciganos.
  • Valéria Fernandes

Desenhos de Paula Dunguel

17/08/2010

Toda cigana gosta de leques e castanholas?

Há poucos dias fui indagada se toda entidade feminina cigana gosta de leques e de castanholas, isto porque quem fez a pergunta queria comprar tais objetos para presentear “sua cigana”. Achei interessante responder aqui no blog, visto poder servir de dica para outras pessoas com este tipo de dúvida.

Primeiramente não podemos esquecer que cada espírito cigano (seja feminino ou masculino), tem suas particularidades como já foi comentado em outras postagens. Partindo deste princípio a resposta imediata é não, embora os adereços citados agradem boa parte das ciganas do mundo espiritual.

Quando um médium começa a ter suas primeiras experiências com o universo espiritual cigano e sem orientação de alguém com mais conhecimento no assunto, à prática de ofertar diversos adornos é bastante louvável, pois "acessórios" como baralhos, pandeiros, lenços, leques, castanholas e outros têm valor bem mais profundo que na ornamentação em geral. Estes são usados pelas entidades como instrumentos de trabalho no mundo em que só alguns conseguem enxergar, é a magia cigana que em nada se relaciona com feitiços e encantamentos. Entretanto, somente com o decorrer do tempo, com a intimidade com a cigana em questão é que estes detalhes vêm a tona, ditos ou intuídos por ela mesma. Como exemplo cito “minha cigana” que nunca se interessou por castanholas, mas por leques, pede que tenha sempre um por perto, não para satisfazer seus gostos, e sim para ser usado nas magias de que falei há pouco. Porém, no diz respeito ao que ela se agrada como oferenda, fui conhecendo aos poucos e atendendo seus pedidos.

Esta abordagem faz lembrar que também deve ser considerado o fato de que onde aporta uma cigana outras estão por perto, daí vem os cuidados de ter opções para agradar um pequeno clã cigano que acontece sem que seja logo sentido, que dirá solicitado.
  • Valéria Fernandes

Desconheço autoria da imagem

14/08/2010

Carta aos Apaixonados
Quando dois corações pulsam no mesmo ritmo,
todo o Universo a sua volta harmoniza-se.
Quando duas almas se encontram e se reconhecem,
o tempo é mera ilusão e todo o sofrimento,
pequeno espinho do caminho...
As alegrias simples transbordam do cálice do amor
e os pequenos gestos de carinho,
movimentam turbilhões de sentimentos elevados,
que alcançamas esferas sublimes emocionando até aos anjos.

Esse encontro pode durar um segundo,
um mês ou mil anos,
mas será eterno o seu encanto.
E o bem que faz aos dois,
multiplica-se para milhões,
pois que funde-se ao amor Divino,
objetivo dos objetivos.
Esse encontro pode se dar por um olhar,
por carta, telefone, pessoalmente
e até telepaticamente...
O que importa, é que as ações, pensamentos e palavras,
ficarão eternizadas ecoando pelo cosmo,
como ondas de rádio a viajar pelo espaço infinito,
semeando vida e amor.
Poema de Marcel de Alcântara

Desconheço autoria da imagem

11/08/2010

Cigano Juan

De origem hispânica, o Cigano Juan se apresenta vaidoso, sempre preocupado com suas vestimentas. Seus acessórios mais comuns são chapéu aveludado, colete bordado, anéis com pedras e cordões dourados no pescoço. Quando chega em Terra pede vinho em copo de alumínio e uma faixa para usar na cintura; não exige cor, diz gostar de todas, do colorido cigano, como se as matizes tivessem sido criadas por seus ancestrais.

É simpático, porém mantém semblante sério na hora de dar consultas. Gosta de falar de sua vida quando encarnado e conta longas histórias a quem tiver vontade de ouvi-lo. Fala do encanto das mulheres ciganas, orgulha-se das festas e das noitadas que um dia teve, lembrando das constantes viagens que fazia. Também não esquece das dificuldades que tinha com seus familiares e amigos para armar acampamentos, erguer as tendas e invadir terras para todo o grupo descansar, mesmo que por pequenas temporadas como era de costume.

A irradiação de Juan é voltada para justiça, para o conhecimento e para a evolução espiritual. Este Cigano faz com que as pessoas racionalizem, e aconselha que não ajam por impulso. Mostra que todo ser humano tem em si um ponto de equilíbrio, e que, por meio desta moderação, a sabedoria não tarda a aflorar. Usa dados para predizer o futuro, no entanto sente satisfação em auxiliar àqueles que o procuram com pensamentos e vocações dispersas, pois logo cuida de trazê-los à realidade em orientação. É grande incentivador dos estudos e do trabalho, ainda que árduos. O Cigano Juan prega a fé e a lealdade, instrui que ambas são alicerces para o crescimento interior. Faz magia para o amor, posto desejar a todos a mesma felicidade que teve no campo afetivo em sua passagem terrena. Improvisa seus encantamentos em lugares arborizados e chama sua companheira espiritual para ajudá-lo. Juan conta que, quando o amor tem raízes, não há obstáculos que ele e sua cigana não se sensibilizam com a causa e quer intervir. Quando o problema é relacionado às finanças, ele desconversa alegremente, dissipando sua seriedade, diz que o dinheiro é consequência do esforço através do suor e do intelecto.

As oferendas que agradam Juan são feitas com flores do campo e velas amarelas, que devem colocadas em lugar tranqüilo dentro de casa, no campo ou em praia deserta. No entanto, solicita uma vela rosa em oferta a seu inseparável par.

  • Valéria Fernandes

Pintura Cigana de Maria do Carmo da Hora

10/08/2010

Para apreciar...


Sedução Cigana por M. Duford

07/08/2010

Laços de Ternura

Pequena fagueira coração feliz
Menina faceira a vida te quer
Apresenta a todos um belo futuro
Tu és a esperança de um novo porvir

A vida te aceita assim como és
Humilde, alegre e vaidosa mulher
Conquista espaços que só a ti convém
Vai e mostra o talento que tens


Em colo simples fostes acalentada
Por rudes mãos também acariciada
E em braços fortes adormeceu

Ao acordar de um sono quase sonho
Viu que a beleza maior deste mundo
São as raízes do povo seu.


Pintura Cigana de Khariton Platonov

04/08/2010

Casais Ciganos – Magia em Equilíbrio

Desde que conheci as pinturas espirituais de Morgana Farah um importante “detalhe” chamou minha atenção imediata: a artista costumeiramente retrata casais. Não conversei com ela sobre este assunto, no entanto, vou mais uma vez palpitar leigamente sobre minhas impressões no que diz respeito às suas belas pinturas mediúnicas.
Como vivencio experiências com o universo espiritual cigano, sei que é comum um indivíduo não ser assistido somente por uma cigana(o), ainda que não tenha consciência do fato. Aliás, quando alguém sente pela primeira vez uma entidade cigana deve se preparar para a chegada de outras se der continuidade “a amizade”. E não raro, chega o equilíbrio. Quem já tem a companhia feminina, à masculina logo surgirá, e vice e versa. Trata-se de um preceito básico da magia: Yin e Yang (repouso e movimento, passivo e ativo, escruro e luminoso), Feminino e Masculino; polaridades opostas que se completam e fundem para a boa harmonia.

O princípio Feminino é regido pelas forças passivas, intuitivas, inconscientes, pela percepção lunar e noturna. Daí vem os dons inexplicáveis de saber dos fatos antes que estes aconteçam, seja por meio de sonhos, da leitura das mãos, das cartas, da telepatia, da clarividência entre outros. Já o princípio Masculino é ativo, revelado através da clareza solar, do raciocínio. Ressaltando a iniciativa, a força da imaginação e da concepção consciente. Também indica energias sobrenaturais, porém, canalizadas para agir sob a influência do intelecto direcionado para um determinado fim, a exemplo do patriarcado, do acolhimento, da proteção, da justiça, etc. “Meu Cigano” é o dirigente de minha tenda, ele é pai e protetor (cuida de todos e indica os rumos a serem seguidos), dar passes magnéticos, faz limpezas espirituais e abertura de caminhos, enquanto “Minha Cigana” age diretamente nos aconselhamentos íntimos, nos oráculos, nas consultas (estando eu com ou sem um baralho em mãos). Ela manipula objetos, aromas e cores, me deixando muitas vezes sem consciência do que está sendo feito. E eis quando surge o momento mágico... ambos se unem em um trabalho específico, conciliando as energias para um único fim, isto devido as particularidades de cada um se completarem mutuamente. Dificilmente trabalham sós.

E as pinturas de Morgana Farah, que têm a ver com isso? Elementar em minha percepção! A médium capta além do óbvio, e, em suas viagens espirituais, seus mentores mostram-na o “principal casal” que assiste e equilibra o médium que solicita sua arte. Mas claro, se alguém estiver interessado somente em uma cigana ou um cigano, a pintora não pode e nem deve se negar a reproduzir o que lhe foi pedido.

  • Valéria Fernandes

Pintura Cigana de Morgana Farah