- Rosa dos Ventos
- Tela de Maria do Carmo da Hora


Sou feito do amor, do carinho, da ternura e do fogo ardente da paixão consumida de feitiços gitano no coração, canto e me encanto com a lua faço oração às estrelas em romani misturando os dialetos com uma magia capaz de despertar em teu ser uma louca paixão, tenho em mim o brilho das cores do mar trago nos olhos a visão verdadeira das candeias do amor que estas descrito na palma de minha mão, ando com o cabelo solto ao vento montado em meu alazão, tenho nas veias o sangue derramado de meu povo injustiçado e perseguido um eterno errante com orgulho ferido,f alo do presente desvendo teu futuro e se quiser revelo teu passado o mundo e meu quintal nada me atinge ou faz mal, pois na minha cintura trago o meu punhal, gosto da mais nobre seda com muito brilho e cor, uso anéis, colares e brincos do mais puro ouro, sou dono de uma fé inabalável fiel aos meus princípios e um amante voraz que nunca te deixara em paz...
Texto de Miguel A M Côrrea

Entrego-me em teus braçosmeu adorado Cigano,me apertas contra
teu peito,fazendo-me flutuar nos passos desta dança,ao som de violinos que nos excita,e nos envolve em fortes desejos.
Teu olhar, tuas mãos
quentes,teus passos firmes e bem cadenciadosnos levam a bailar ao redor do
fogoque brilha intensamentefazendo-se arder em nossos corpos o calordo desejo,
da entrega, neste Amor Cigano!
Autoria: Thais S Francisco

Tela de Maria do Carmo da Hora
O coco verde é usado para acalmar pessoas de temperamento forte. Abre-se uma tampa nele e serve-se a água – não toda – para a pessoa que está agitada ou de humor “complicado”. A água restante fica dentro do coco, no qual colocamos um pedaço de papel com o nome da pessoa e selamos a tampa com cera de vela. O coco deve ser pendurado pela casa.
Para neutralizar energias negativas/ desarmônicas, cruza-se dois pregos em um limão e pendura-se na casa. Se o problema for pessoas com energias negativas ou pessoas que precisam ser neutralizadas por quaisquer razões, escreva o nome da pessoa e finque o papel com os pregos dentro do limão e pendure. Esse limão tende a apodrecer muito rápido. Dispense o limão ruim e troque sempre que necessário.
Quero por teus caprichos... 
Tela de Maria do Carmo da Hora
Sua MagiaA fase da Lua da sua preferência era a cheia. Suas oferendas devem ser colocadas sempre em frente ao mar e, se for possível, sempre no dia dois de fevereiro: foi nesse dia que foi para o mundo espiritual, no mar, próximo a Ilha de Chipre. Nunca devem ser colocadas velas coloridas para essa Cigana, pois ela só aceita velas azuis.
Tela de Maria do Carmo da Hora
Wladimir

Enquanto esta incorporada, segura na mão uma rosa amarela. As velas e as rosas em sua magia são sempre amarelas. Ela não faz magia para o mal; suas magias preferidas são aquelas feitas para defesa contra armadilhas dos inimigos e contra a inveja. Wlanasha manuseava suas cartas desde os seis anos de idade. A fase da Lua de sua preferência era a crescente. Wlanasha é a cigana preferida de Bel-Karrano (Deus-Céu), irmã gêmea do cigano Wladimir. Por isso, sempre que entregamos uma oferenda para a cigana Wlanasha, temos de entregar outra para o cigano Wladimir.


Tela de Maria do Carmo da Hora
“Se faz alvorada. É assim que acontece a primavera. Na terra e em mim... Repentinamente, o acordar das cordas de um violino há muito adormecido. Da flauta e do oboé esquecidos. É a música do despertar. Todos os grãos se abrindo. Subindo. Perfurando a terra triste. Pequenas folhas e brotos, cantando sobre os vales, penhascos, planícies, campos, jardins, quintais, canteiros e floreiras. É um tempo de brisa leve. De umidade e frescor. De atenuar rigores. De sair e olhar o mundo. Um tempo de celebração. De orquídeas, rosas, jasmins, belas-emílias, lírios, margaridas, agapantos, azaléias, glicínias e rododendros. Desabrochando em algaravia juvenil. Os pássaros na amoreira, cedo, no seu alarido matutino. Um beija-flor entra no jardim de inverno. Instala-se no pequeno galho de hera que infiltrou-se pela fresta da parede. Na porta aberta da cozinha, dois rouxinóis-bebês espiam a casa ainda silente da última noite de inverno. É primavera. Aos poucos, rompo o cristal de gelo que segura minha alma. Sou broto novamente. Germinando. Crio asas e ensaio pequenos movimentos. Como os rouxinóis filhotes. Poderei novamente? Arriscarei? Sim, mais uma vez arriscarei. Serei manhã como esta manhã...
Dica para leitura
Livro "Sangue Gitano" -Romance Cigano de Solange Magrin Ruiz

Este livro foi escrito para trazer a tona à vida em um acampamento cigano em tempos remotos. A Cigana Isabelita nos conta a sabedoria e as dificuldades, as alegrias e as tristezas, a música e a dança e os desafios, amigos fiéis e inimigos implacáveis desse Povo. Nos mostra a força do Sangue Cigano, do sangue que une um Povo do Sangue que enfrenta os perigos, do Sangue perdido.
Façam esta viagem e conheça a vida do Cigano Dom Fernando e da Cigana Isabelita quando encarnados. Com estes filhos das estrelas, abençoados pela lua, acariciados pelo vento e aquecidos pelo sol. Filhos das estradas, amantes da vida e da liberdade.
Sigam os caminhos que este Povo encantado os conduzirá através desta obra, com muita música dança, magia, felicidade e união. Mas principalmente vem mostrar que tudo na vida é conquistado com força, luta, honra, amor e acima de tudo com muita Fé.
A dança cigana, assim como o seu povo, não tem origem exata, porém, é sabido que há uma mistura de ritmos como a Rumba, o Flamenco, a Salsa e até mesmo a Dança do Ventre. O mais curioso, e que para os “não-ciganos” pode passar desapercebido, é que cada coreografia, tem seu significado cultural, espiritual ou mesmo místico. E é através de seus instrumentos e do culto ao Quatro Elementos da Natureza, que podemos conhecer a simbologia de cada dança.

Dança do Leque: dança do elemento Água, representa o amor, a sensualidade e a limpeza.
Dança do Xale: dança do elemento Fogo, representa o mistério e a magia.
Dança da Rosa: dança do elemento Terra, representa o amor, a beleza, a conquista e a sensualidade.
Dança do Véu: dança do elemento Ar, representa e expressa a leveza do corpo e a sensualidade.
Dança das Fitas Coloridas: dança do elemento Água, representa as lágrimas de alegria e tristeza derrubadas pelo povo Cigano; não os lamentos, somente comemorações.
Dança das Tochas: dança do elemento Fogo, mostra a fúria e o poder do fogo através das tochas acesas que reverenciam este elemento.
Dança do Pandeiro:
dança dos Quatro Elementos, denota a alegria e sugere uma festa; serve também para purificar o ambiente.Dança dos Sete Véus: para os ciganos essa dança representa uma despedida de solteiro. E os véus coloridos representam as sete cores do arco-íris e simbolizam o amor e a sensualidade. As cores dos véus representam os Quatro Elementos.
Dança do Punhal: dança dos elementos Ar e Terra, representam lutas, disputas, fúria e pode simbolizar a limpeza do ambiente e do corpo.
Dança dos Quatro Elementos: feita com representações dos quatro elementos como: Vela, Incenso, Cântaro (jarro d'água) e Sal, significa magia e limpeza do ambiente.
As Cartas Ciganas
O Caixão
Aproveitando a parada da caravana, o jovem cigano desce de sua carroça, pega seu cantil quase vazio e, após sorver longo e último gole de água, dirige-se a uma bica próxima para enchê-lo novamente. A caravana havia parado como de costume, para descanso e água para os animais e também para que os cantis fossem cheios. O vento da tarde anunciava que o frio relento da noite viria em breve e réstias de um sol dourado emprestavam ao lugar uma aparência de nobreza. Causava-lhe alegria observar o movimento das folhas das tamareiras e sempre que podia, parava para admirá-las. Igor, brincando e tamborilando com o cantil, dirige-se ao Sábio ancião do pequeno e pobre lugarejo de não mais que duas dúzias de casebres e como de costume cumprimenta-o aproveitando para pedir-lhe um conselho:
- Diga-me senhor, o que Deus nos faz quando não seguimos um conselho?
Levantando a cabeça e parecendo sorrir com os olhos, o Sábio responde ao cumprimento do jovem e diz amorosamente:
- Quando convivemos com alguém que tem mais clareza de espírito e não enxergamos, paciência. Somos ainda cegos e nada nos é cobrado. Afinal, não podemos enxergar o que não vemos. Porém, quando reconhecemos a sabedoria de alguém, e mesmo assim, fechamos os ouvidos diante de um sábio conselho, seremos cobrados pelo Universo. O Universo, lembre-se, sempre pede contas pelo que nos é dado. Sempre.
Extraído do livro Toques de Sabedoria - Devany A. Silva

Amantes da música, da dança e das "viagens", os ciganos levaram a sua cultura até aos confins do mundo.
O termo gadjó é empregue pelos ciganos para designar os estranhos, aqueles que não pertencem ao seu mundo. Na acepção primitiva, a palavra gadjó significava as pessoas sedentárias, ou seja, o contrário de nómada, um estilo de vida característico dos ciganos.
O documento mais antigo de que dispomos sobre os ciganos remonta ao ano de 1200. Na Europa, eles foram olhados com suspeita desde a sua chegada. O seu estranho modo de vida metia medo às pessoas e criava preconceitos. Na origem desta discriminação encontram-se igualmente razões de ordem económica. Aqueles nómadas, peritos em trabalhos artesanais e especializados no trabalho do ferro e do cobre, constituíam uma ameaça ao frágil comércio dos artesãos medievais. Reis e papas expulsaram os ciganos de muitos territórios do Ocidente. Chegou-se mesmo a vendê-los e a explorá-los como escravos, empregando-os, acorrentados, como remadores nos navios dos cruzados. Outros foram torturados, queimados e até se chegou a arrancar-lhes os olhos. Esta perseguição prolongou-se ao longo dos séculos, culminando no extermínio levado a cabo pelos nazis, que nos fornos crematórios se desfizeram de mais de 500 mil inocentes, perante a total indiferença do mundo.
As origens
A Cartomancia é um dos costumes mais conhecidos do povo cigano, e não é por acaso que nos sentimos bem melhor quando fazemos uma consulta de baralho com uma “verdadeira cigana”, e ficamos ressabiados com o não-cigano que também aprendeu esta arte oracular via estudo, que é o meu caso em matéria de aprendizado. As tradições ciganas são passadas de geração a geração, e a leitura de cartas não poderia ser diferente, não é mesmo?
