03/10/2009

Casal Cigano

Não são muitas as pinturas de Casais Ciganos, na verdade, deixa a desejar quando comparadas com as retratações de mulheres ciganas, e, quando existem, quase sempre remetem à sedução e à sensualidade. Encontrei esta antiga tela de Jose Agustin Arrieta (1803-1874) e achei magnífica pela sua simplicidade e veracidade. Para mim, soa com um belo convite a fazer uso das reais circunstâncias que o cotidiano oferece; nem sempre imbuídas de trejeitos ardentes, de riqueza e de glamour, mas deliciosamente perfeitas para quem bem sabe apreciá-la..

  • Valéria Fernandes

01/10/2009

A história da Cigana Florisbela

No dia 22 de julho de 1887 os ciganos Nicolas e Sulamita se uniram em matrimônio. Dez meses após o casamento nasceu a primeira filha do casal que recebeu o nome de Dandara. Nicolas que já era pai da Florisbela - fruto de seu primeiro casamento - desejava muito uma criança do sexo masculino para coroar seus laços com Sulamita, não demorou muito nasceu Diogo, formando uma nova família que Nicolas tanto sonhara.

Com o passar dos anos, a Cigana Florisbela sentiu-se preterida pelo pai e por toda sua nova família; morava com mãe em um outro clã, e Nicolas sequer lhe fazia uma visita. A ciganinha teve uma infância triste, se negando a interagir com as outras crianças dos lugares por onde passava. Uma das poucas coisas que lhe dava alegria era sentar-se à beira de rios e de cachoeiras para admirar as cartas de um velho baralho que sua avó materna lhe dera. Durante muito tempo à jovenzinha se negou a seguir os costumes de seus ancestrais, e nem mesmo a vaidade comum de seu povo fazia com que esta pequena cigana florescesse para uma vida mais feliz. Quando Florisbela completou 13 anos, Florinda, sua zelosa mãe, percebendo que a filha tinha o dom da vidência e se recusava a desenvolvê-lo, decidiu então dar a ela uma bola de cristal; fato que na época mudou a vida da jovem cigana.

Movida pela curiosidade de saber sobre seu pai, a Cigana Florisbela dedicou seus dias a tentar bisbilhotar Nicolas por meio de seu sagrado instrumento de predição, no entanto, nada conseguiu. Certa noite, quando já tinha 16 anos, sentiu um vento forte invadir a sua tenda e foi sacudida por um calafrio que percorrera todo o seu corpo; imediatamente pegou a bola de cristal e sem demora, a visão que tanto almeja lhe pregou uma peça; era seu pai, porém pálido e abatido, deitado sobre almofadas coloridas. Florisbela caiu em prantos e ali mesmo presenciou a morte física de seu genitor. Florinda ao ver a agonia da filha, a socorreu de imediato acalentado o triste coração de sua menina.

Passado o impacto da “viagem” de Nicolas, a Cigana Florisbela prometeu a mãe que a partir daquela data não fugiria mais das tradições, que dirá do seu bem traçado destino. Aos poucos, a bela cigana foi fazendo fama pelas redondezas e se tornou uma das melhores cartomantes e clarividentes de seu clã, assistida pelo iluminado espírito de seu pai.

  • Valéria Fernandes

27/09/2009

Essa Cigana...
Ah!... Essa cigana festeira e alegre
Que caminha pelas ruas buscando
Em cada rosto um irmão, um amigo...
Mora comigo,
Faz do meu pranto comédia
E sorri da minha dor Dança, canta, esquecida do amanhã,
Porque sabe que o hoje é vida,
E todas as misérias da vida, precisam ser esquecidas...
Irreverente e dócil...
Ama e se entrega enfurecida ao amor!
Um que de místico mora em seus olhos,
Um que de sombrio acompanha seus passos...
Tantas vezes morreu e tantas voltou...
Insiste em ser feliz, viver!
Traz um cigano sonhado no peito
Louco... fanático de amor...
A noite percorre todos os recantos dos sonhos,
Traz uma fogueira acesa, enormes labaredas
De fogo em todo seu ser...


Quem entende essa mulher, que vive
Lembrando sua infância, sendo na alma
Uma criança?...
Trazendo na retina uma
Lágrima brilhante de quem vai chorar ...
E de um salto se põe a dançar
Feliz como uma mariposa
Na luz da fogueira... rosto incandescente, apaixonado,
Louca de amor por tudo que a cerca,
Triste e alegre, mistura tudo velozmente!
Quero entendê-la, não encontro respostas...
Acho que nunca alguém a entendeu...
Ela mora em minha alma...
Essa cigana sou eu!

Poema de Marilena Trujillo
Gravura de Sérgio Matos

24/09/2009

Cigana Lemiza
Pelo que pude observar, existem controvérsias sobre os gostos e as preferências da Cigana Lemiza durante sua passagem terrena. Entretanto, fica clara a sua predileção por anéis, brincos, colorares pulseiras e braceletes dourados; todos com pedrarias em cores diversas, exceto preta. Até em suas roupas o reluzir das pedras era bem-vindo. Além de ler as mãos de quem a procuravam, foi uma exímia cartomante, e para onde fosse, carregava seu baralho em um saquinho preso à saia.
Muito respeitada em seu clã, fazia magias para o amor por meio de um pó desenvolvido por ela, o qual usava em seus rituais que geralmente eram feitos em pleno bailado, ao redor de uma fogueira. Também dominava perfeitamente os encantamentos feitos em mares e cachoeiras para abrir os caminhos na prosperidade material e limpar as energias negativas de seus protegidos.
A Cigana Lemiza tinha pela clara, cabelos castanhos ondulados e olhos azuis. E por ter sido uma mulher bastante vaidosa, gosta de ser agradada pelas pessoas que hoje pedem sua ajuda com pó de arroz, batom, perfume de jasmim, lenços, xales e flores do campo. Não foi feliz em sua vida amorosa devido ter ficado viúva muito cedo, carregando consigo tristes traços de amargura, mas sem deixar de ser complacente com aquelas que buscam viver um grande amor. Envia recados diretos sobre os homens, sem rodeio algum; por este motivo, quem a solicitar, deve estar preparada para ouvir verdades, mesmo que estas possam doer.
  • Valéria Fernandes

16/09/2009

Cigana Maria Dolores – Novidades

No dia 23 de maio deste ano postei parte de uma canalização sobre a Cigana Maria Dolores. Como é comum, sempre recebo e-mails de pessoas que se identificam com muitas das ciganas (os) que aqui publico, mas na maioria dos casos solicitam outras informações, e dificilmente me enviam algo adicional. Desta vez tive uma grata surpresa ao ser contactada por uma médium que trabalha como esta cigana.

Para que todos possam entender os acontecimentos que me trouxeram a esta postagem, eis o primeiro e-mail que recebi de Rossilene Nascimento:

“Olá Valéria, fiquei muito feliz e ao mesmo tempo assustada ao ver relatado alguma coisa sobre a cigana Maria Dolores. Trabalho com essa cigana há uns três anos e nunca havia ouvido falar sobre ela. Sempre tive dúvidas sobre a manifestação da cigana, mas depois que li o seu relato não as tenho mais. Tenho a maior curiosidade de saber mais sobre a vida e passagem desta cigana, mas ao mesmo tempo tenho receio de sofrer influências sobre seu modo peculiar de ser. A história sobre o anel me impressionou, pois ela realmente tem um anel de pedra e me faz usar diariamente, e nunca me perguntei sobre o motivo até mesmo porque ela não diz. Ela fala com sotaque espanhol e sinto que é muito bonita, porém, não tão jovem. Tem uma elegância peculiar, adora estar entre as pessoas e ouvir principalmente o que os homens têm a falar sobre nós mulheres. Se tiver mais algum comentário sobre esta cigana, por favor me envie, pois essa mensagem veio até mim em um momento em que estava sentindo-a muito e questionando sobre suas vibrações, então me veio à resposta por meio deste blog. Que o povo cigano te abençoe e que Dolores te proteja e te dê a intuição necessária para prosseguir na evolução espiritual.”



A partir de então, me interessei em trazer aos leitores do Vida Cigana informações novas e complementares sobre Maria Dolores, e de imediato Rossilene gentilmente se prontificou a passar suas experiências mediúnicas para nosso aprazível deleite e busca por conhecimentos; mesmo sem nunca ter visto Dolores em sonho ou mesmo em vulto; somente sentindo-a via incorporação.


Cigana Maria Dolores por Rossilene Nascimento



- Aceita ser chamada de Maria Dolores somente por pessoa hierarquicamente superior a ela; sua preferência é que a chamem de Dolores.
- Adora a cor amarela. Usa xale com franjas e um punhal.
- Sua bebida preferida é champanhe rosada. Usa uma taça grande no qual corta frutas vermelhas em pedaços e despeja a bebida por cima.
- Gosta de dançar, de requinte e de almofadas.
-Trabalha muito com frutas, fitas, moedas e na maioria das vezes com união de casais, e também com problemas relacionados à crianças.
- Não suporta quando alguém pede algo relacionado ao aborto.


- Pela vibração, percebe que a entidade tenha desencarnado em torno de seus trinta e poucos anos.
- Pela vibração e comentários de pessoas que dizem vê-la, trata-se de uma mulher que não seja morena e que nem possui os cabelos totalmente negros.
- É devota de Santa Sara Kali, fala muito em Deus e no povo cigano.
- Não se comporta como uma Pomba-Gira, e sim como uma verdadeira cigana.
- Tem certo prazer ao ver um homem sofrendo pelo amor de uma mulher, mas o ajuda quando percebe que há compatibilidade para isso.
- Quanto ao anel, continua o mistério. Uma senhora deu de presente à Dolores enquanto Rossilene estava incorporada. Colocou em sua mão esquerda e enviou um recado à médium que não saísse de casa sem ele. Ela continua a usar o anel, que é dourado com pedra vermelha.



Rossilene Nascimento é de Vitória - Espírito Santo. Atua nas linhas do Candomblé e da Umbanda; se diz espírita não pertencente a um grupo fechado. Auxilia um babalorixá e uma proprietária de um Centro de Umbanda. Seu contato: cigana_6@hotmail.com

É muito difícil captar na integridade a essência de um espírito cigano, em razão do universo invisível não nos fornecer o que desejamos de palpável. Por este motivo todos que trabalham por intermédio da mediunidade sempre buscam validar seu desempenho através de terceiros. A Rossilene não é a primeira e certamente que não será a última a receber tais confirmações no tempo oportuno. Também acontece comigo!
A síntese dos relatos da médium foi feita por mim com intuito de evitar que os nossos diálogos interviessem na explanação.


Valéria Fernandes

Pintura de Maria do Carmo da Hora 

03/09/2009

Baralhos usados pelos ciganos

Os ciganos não têm um baralho próprio ou desenvolvido por eles como tornou-se crença popular; ao contrario do que se pensa, não existem registros históricos que confirmem tal domínio de criação. Ao longo dos tempos o povo cigano, principalmente as mulheres ciganas, desenvolvem seus dons na cartomancia usando o “Baralho Comum” de 52 cartas e o Tarô que dispõe de 78 arcanos por um largo período. Os múltiplos oráculos com denominação de Cartas Ciganas, Tarô Cigano ou simplesmente Baralho Cigano (que a maioria forma seu conjunto com 36 cartas), surgiram como derivação da iniciativa de uma famosa e culta cartomante francesa não-cigana conhecida como Madame Lenormand. A mesma publicou no ano de 1828 seu primeiro baralho com 52 lâminas e algumas décadas mais tarde o reduziu para 36, ficando conhecido mundialmente por Petit Lenormand, devido principalmente à sua abreviação de 16 cartas.

A exemplo do que é disponível no mercado brasileiro hoje, além dos citados com diferentes assinaturas, tem-se o Baralho da Vovó Cigana que contém 48 cartas, cuja autora tem origem cigana, bem como o Lilá Romai - Cartas Ciganas, que possui 37 peças idealizadas pela cigana Mirian Stanescon; variantes que confirmam a diversidade de criações conforme a vontade de seus autores e independente de suas etnias.

Com as suas naturais habilidades e o magnífico aprendizado desta arte oracular passada de geração em geração, creio os ciganos pouco estão interessados em tomar para si a procedência de qualquer baralho, pois a própria vida nômade não requer certos alimentos para o ego como é comum para os não-ciganos.
  • Valéria Fernandes
Pintura Cigana de Robert P. Kilbert

31/08/2009

Interpretando as Cartas Ciganas

Para interpretar as Cartas Ciganas é natural o principiante recorrer a livros e páginas da internet com intuito de saber mais rapidamente sobre os significados de cada lâmina. Muito embora este caminho seja necessário para compreensão da complexidade deste instrumento de predição e de autoconhecimento, há outras vias que são nitidamente significativas e que podem auxiliar a construir uma boa interpretação.
Para começar, é essencial que se escolha um baralho cujas imagens sejam agradáveis aos olhos, pois ele será o interlocutor de quem o manuseia. Não se deve comprar o mais vendável ou o mais conhecido, e sim aquele que fala diretamente aos sentidos de quem pretende interpretá-lo. Feito isso, o convívio diário é de grande ajuda, como, por exemplo, tirar uma carta por dia e prestar atenção em sua mensagem; sem ansiedade e sem julgar previamente a carta como sendo boa ou má. Com o tempo, a tiragem de 3 cartas dará uma orientação mais rica, e assim as diferentes técnicas vão ajudando no aprimoramento do aprendizado. Outra excelente via de percepção, talvez uma das mais eficazes, se dá através do uso da sensibilidade; pela qual se pode distinguir as mensagens positivas, neutras ou negativas por meio das cores, do clima de cada ambiente, da postura das figuras e dos objetos contidos nas gravuras no ato da contemplação. Um recurso bastante produtivo é se colocar no lugar do personagem da carta (mesmo quando é um animal), e imaginar que atitudes ele está apto a tomar; e ainda pensar como este personagem se sente, se posiciona ou age. É comum encontramos nas Cartas Ciganas flores, árvores, rios, nuvens e variadas demonstrações da natureza, que são excelentes comparativos com nosso universo interior quando devidamente explorados para o acréscimo pessoal.

No mais, é preciso realmente gostar das Cartas Ciganas, ter dedicação e enxergar além do óbvio; visto a sensibilidade ser um fator de natureza inseparável do ser humano para ajudar nestes exercícios de memória emocional.
  • Valéria Fernandes
Pintura Cigana de Maria do Carmo da Hora

22/08/2009

Pintura Cigana Humanizada

Nos últimos tempos tenho me sentido regozijada pela diversificação de Pinturas Ciganas encontradas na internet, possibilitando assim aos apreciadores da arte uma releitura das imagens; e por serem muitas, decidi apresentar uma das que mais mexeu com minha sensibilidade.
Quem admira o Universo Cigano e costuma pesquisar sobre o tema, com certeza já se deparou com a montagem dessa jovem que tem o cotovelo direito apoiado em uma mesa que não é a que vemos, estando com a mão esquerda entreaberta, o que facilitou colocar-lhe uma carta em sua mão. É notório o bom aproveitamento de sua postura e semblante para encher seu ambiente de apetrechos ditos ciganos, tais como lenço na cabeça, correntinha na testa, cartas de Tarô e Bola de Cristal. Há outras versões estilizadas da mesma foto-montagem, mas fica claro para olhares atentos não se tratar de uma cigana, e sim de uma bela mulher inserida em um cenário que não convence.
Para minha alegria, dia desses encontrei a “suposta cigana” humanizada pelas belas pinceladas de Leila Ullmann. O leitor poderia indagar: como pode uma mulher não representar a alma humana e uma pintura ter tal capacidade? Torna-se fácil fazer essa distinção quando consigo sentir verdades, ou seja, quando o íntimo da artista se manifesta e envia a mensagem diretamente ao meu espírito.

Leila, mesmo mantendo traços fidedignos à fotografia, deu vida por meio de suas singulares capacidades de percepção ao usar as cores de forma impactante, ao definir os adornos velados por tons neutros e ao acrescentar adereços para enriquecer sua criação. Chamou minha atenção o lenço vermelho em contrate com figurino e pingentes azuis; no mínimo prendem a atenção de qualquer pessoa apta a sentir o coração concentrado de uma cigana em pleno exercício de seu inerente dom de interpretar as cartas. E como não poderia faltar, a artista deu um toque especial com as pulseiras e braceletes dourados com detalhes em moedas, bem ao gosto cigano.

Nesse caso, aos meus olhos, pouco importa os pormenores técnicos, a exemplo da perspectiva, em razão de ser prazeroso demais me deparar com imagens que jamais poderão ser confundidas com plágio ou apontadas como sendo sem vida.


  • Valéria Fernandes

19/08/2009

Uma Oração...

Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalante ódio. Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior. Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro. Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida. Que a música seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer. Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz. Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração. Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins. Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.
Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno. Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver. Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável! Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e atua passagem pela vida, sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome.Aquele amor que não se explica, só se sente. Que esse amor seja o teu acalanto secreto, Viajando eternamente no centro do teu ser. Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.Que jamais, em tempo algum, tu esqueças da Presença que está em ti e em todos os seres.Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz!
Desconheço autoria da Oração!

10/08/2009

Viagem ao Povo Cigano


Limpe sua mente de todos os maus pensamentos. Abra seu coração para receber a luz. Agora, faça dele uma clareira em meio à mata. Logo adiante está a estrada, o rio limpo e sereno passa ali pertinho.Tudo pronto, só aguardar. Ouça o tilintar dos artefatos batendo uns nos outros, ouça o trotar dos cavalos, riso alegre das crianças, a voz forte dos homens e o canto das mulheres.A alegria está chegando e com ela a CARAVANA DE LUZ. Uma a uma as carroças vão entrando em seu coração formam um círculo perfeito, sem inicio ou fim, representando a eternidade. Os homens se apressam em acender a fogueira que agora vai aquecer o seu coração, as crianças correm, brincam e espalham alegria por todo o seu ser. Tudo pronto, o acampamento cigano se instalou em seu coração.Você se sente querida, aquecida, alimentada, feliz. A festa desta noite é em sua homenagem. Todos em volta da fogueira, o chefe do clã inicia uma oração para agradecer a Deus e à Santa Sara pelo coração encontrado, todos agradecem. As crianças são as primeiras a saírem correndo felizes após a oração. O som de um violino corta a noite, as chamas da fogueira parecem iniciar a dança. Os mais velhos batem palmas, os jovens saem dançando ao som da melodia. Sua alma cigana falou mais alto, você rodopia feliz, a saia rodada, o lenço, os anéis, as pulseiras surgem por encanto. Você é uma cigana!!!


O tempo passa e você nem se apercebe, fecha os olhos e senta para descansar. Ao abri-los o dia já raiou, a CARAVANA DE LUZ partiu, que pena! Bem que eles podiam ficar para sempre em seu coração, mas eles são ciganos, partiram em busca de novo coração. Não fique triste... eles deixaram a fogueira,você nunca mais sentirá o frio da solidão. Deixaram alimento para alimentar sua alma, deixaram a alegria e é tanta que você pode dividi-la com todo mundo, deixaram a esperança de dias melhores, a sabedoria e a certeza de que você está pronta e por fim deixaram a cigana que você sempre foi com uma missão: a cigana tem o dom da palavra,de seus lábios sairão palavras de esperança, de fé, de humildade, de amor. Palavras que aquecerão corações solitários, palavras que levarão a paz, que iluminarão caminhos, que espalharão alegria e Santa Sara estará com você um dia em um futuro distante. Quando sua missão tiver se encerrado a CARAVANA DE LUZ vai voltar e desta vez, para te buscar, CIGANA!

Publicado no Recanto das Letras por Gil
Código do texto: T627742

06/08/2009

Pare o Mundo que eu quero descer!!!


Ontem, ao receber um e-mail de uma jovem socióloga que se corresponde comigo em razão primeira de termos afinidades com ciganos, me deu uma imensa vontade de pular fora do Mundo e descer! Isso, pela incrível capacidade que o ser humano tem de deixar de sonhar, ou melhor, de se eximir de viver, e ainda por cima tentar arrastar as “pessoas queridas” para o mesmo tipo de vibrações inferiores; que só validam suas frustrações e seus medos de se lançarem pelo que são ou pelo que gostariam de ser. Pois bem, minha amiga contava que vários indivíduos bem próximos a ela lhes disseram para parar de sonhar, para abandonar seus ideais e engavetar seus projetos que lhes são imensamente gratificantes, mesmo se não houver um boom financeiro mais na frente.

Onde estamos mesmo para sermos obrigados a ouvir tais absurdos? Que perspectivas de vida teremos nós sem os impulsos e sem a paixão pelo que fazemos e acreditamos? As dificuldades sempre existiram e continuaram existindo, faz parte do evoluir. Porém, a conduta comportamental de cada indivíduo faz toda a diferença, pois quando não desejamos encaixotar o próprio viver, surge a vontade, a garra, a superação e, com certeza, a competência que nos é inerente.

Tendo o coração endurecido, o comodismo e a privação dos anseios como base para nossa caminhada aqui na Terra, ah... não tem outra, vou parafrasear Silvio Brito e dizer em alta voz: Pare o Mundo que eu quero descer!!! Prefiro descer e entrar em outro Universo de valores e princípios mais dignos para quem se diz gente, onde não há limitações nem para o corpo e nem para a mente. Acredito piamente que somos capazes de “mover montanhas”, e claro, creio “que tudo vale a pena se alma não é pequena”...

Lançarei-me quantas vezes for preciso no Mundo que condiz com meu espírito, e sei, que a jovem em questão tem mais forças que todos os entes ao seu redor subordinados e restritos em favor de suas pequenas “verdades”.

  • Valéria Fernandes

04/08/2009

Ser Cigano...
ciganos
Ser cigano é ter uma carne, uma alma, paixões, uma pele, instintos e desejos outros; é ver o mundo com outros olhos, com a música no sangue, uma altivez selvagem, a alegria misturada com as lágrimas; a tristeza, a vida e o amor desconfiados; é evitar a rotina e a norma que castram; é, graças ao canto, embriagar-se de vinho e de beijos; é transformar a vida em nova arte cheia de capricho e liberdade; é recusar o jugo da mediocridade; é tudo apostar num único lance; é saborear, se dar, experimentar. É viver. Isso é tudo.
  • Por Mateo Maximoff

02/08/2009

A Magia da Personalidade


Para se produzir qualquer impressão na mente de quem desejamos atrair sua atenção, primeiramente é preciso se fazer notar de maneira tão expressiva, que cause impacto na imaginação do ser desejado. Ora, como isso pode ocorrer? De certo que não é através de artimanhas e de planejamentos mirabolantes, e sim por meio dos traços da personalidade em que o indivíduo é capaz de determinar seu espaço nas fantasias de outrem.

Existem pessoas que se esmeram em para aparecer a qualquer custo, no entanto dispersam os próprios dons naturais em virtude de quererem mostrar seu exterior e interior de uma só vez; atropelando dessa forma suas características mais marcantes, talvez as exatas que seriam capazes de deixar a sua marca. Todavia, tais esforços se tornam completamente nulos pela ausência de tato e de perspicácia do envolvido com a questão.
É fato que todo ser humano tem traços em comum com outros, mas também tem o poder de se apresentar singularmente quando consegue reverter oportunamente em favor de si as suas qualidades aparentemente iguais a de todos, validando em sinais ímpares e marcantes. Há quem o faça despertando admiração, boa vontade, humildade, simpatia, alegria, atitude, estilo, charme, classe, bom gosto, sensualidade, magnetismo, criatividade, inteligência; tudo isso com desenvoltura e naturalidade. Já outros registram sua presença por meio da arrogância, da insolência, do atrevimento, da altivez, da agressividade, do oportunismo e até mesmo do superior distanciamento entre tantos outros marcantes atributos.

Os expedientes para alcançar determinados fins obviamente têm vários caminhos, sempre de acordo com a individualidade de cada um. O imprescindível é sair do senso comum e ganhar na memória da pessoa almejada um lugar que não dê margem para o esquecimento ou para a mesmice. Se as impressões serão boas ou ruins, cabe somente ao interessado escolher em sua unicidade as vias para alicerçar seus intentos e gravar sua passagem.
Não é categoricamente assim que sentimos a magia da influência cigana repercutindo ao nosso redor?
  • Valéria Fernandes

Pintura Cigana de Kelly Molone

28/07/2009

Os Quatro Elementos da Natureza

Os ciganos têm uma ligação muito íntima com os Quatro Elementos da Natureza, pois apóiam seus encantamentos e magias nas forças naturais disponíveis no Universo. Tentei de forma resumida reunir algumas das principais características simbólicas que podem ser encontradas na Água, na Terra, no Fogo e no Ar.
espaço
  • Água
O elemento Água simboliza os sentimentos, a receptividade a intuição, os sonhos, os afetos, os prazeres, o amor, a paixão, a proteção, o acolhimento, a nutrição, a sensação, a sensibilidade, a espiritualidade, o misticismo, as memórias, o romantismo, as artes e os ideais. Na visão negativa evidencia as ilusões, as quimeras, as fantasias, os enganosos, as confusões emocionais, o excesso de idealização do futuro e de interiorização.

Entre espíritos elementares da Água ressalta-se as Ondinas, as Sereias e as Ninfas.
  • Terra
O elemento Terra simboliza a concretização, a prática, o realismo, o desenvolvimento, a preservação, a frutificação, o esforço, a dedicação, o comércio, o dinheiro, a fecundidade, o corpo, o prazer, a segurança, a expansão, a propriedade e a estabilidade. De forma negativa evidencia a ambição, o materialismo, a possessividade, o apego, a avareza, a rigidez e a resistência ao novo.

Entre espíritos elementares da Terra ressalta-se os Gnomos e os Duendes.
  • Fogo

O elemento Fogo simboliza a vontade, a inspiração, a criação, a força criadora, o ânimo, a iniciativa, o progresso, os empreendimentos, o desenvolvimento, o idealismo, a invenção, a energia, as vivências e os acontecimentos. Em seu sentido negativo evidencia a voluntariedade, a presunção, a intolerância, o exibicionismo, o egoísmo, a ambição e os atritos.

Entre espíritos elementares do Fogo ressalta-se as Salamandras.

  • Ar
O elemento Ar simboliza o pensamento, a inteligência, a racionalidade, a objetividade, o equilíbrio, a capacidade de julgamento, o intelecto agudo, o conhecimento claro, a distinção, a decisão, a ação, a luta, a tática, o verbo, o espírito crítico, a perspicácia e os conceitos. Negativamente evidencia o cinismo, a pretensão, a frieza, o calculismo, a impiedade e a ausência de sentimentos.

Entre espíritos elementares do Ar ressalta-se os Silfos e os Gigantes.
  • Valéria Fernandes

Desconheço autoria das imagens

27/07/2009

Morre Lentamente

Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói seu amor próprio,
Quem não se deixa ajudar,
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito
Repetindo todos os dias os mesmos trajetos.
Quem não muda de marca,
Não se arrisca a vestir uma nova cor
Ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão
E seu redemoinho de emoções,
Justamente as que resgatam o brilho dos olhos
E os corações aos tropeços.
Morre lentamente quem não vira a mesa
Quando está infeliz com o seu trabalho ou amor,
Quem não arrisca o certo pelo incerto
Para ir atrás de um sonho.
Quem não se permite
Pelo menos uma vez na vida,
Fugir dos conselhos sensatos...
Viva hoje!
Arrisque hoje!
Faça hoje!
Não se deixe morrer lentamente!
Não se esqueça de ser feliz!
  • Pablo Neruda
Uma semana de Vida para todos!!!

25/07/2009

A Dança do Pandeiro

Até os dias de hoje não se sabe ao certo a procedência da Dança do Pandeiro, e do que é de meu conhecimento, a origem cigana aponta para uma hipótese bastante confiável. Contudo, independente de fatos históricos ligarem ou não ao povo cigano, este instrumento tem registros desde a mais remota antiguidade; seja nos ritos religiosos, em festas de cunho comemorativo ou no entretenimento cotidiano.

Os sons do pandeiro, juntamente com a dança exercida por meio dele, têm um simbolismo rítmico de grande importância na vida das pessoas que buscam harmonizar o corpo e a mente. Em algumas culturas a percussão é fundamental para fazer um elo entre o homem e sua própria consciência, ou entre o homem e a divindade; devido aos movimentos cadenciados despertarem os estímulos não apenas corporais, mas também emocionais e espirituais.



O ritmo (palavra de origem grega que significa o fluir, o mover e a regulação dos movimentos) é responsável pelo condicionamento a que nos submetemos para nos sintonizarmos com algo ou alguém. É comum, por exemplo, ao no apaixonarmos, dizermos que estamos em sintonia com o outro, isto é, que estamos no mesmo ritmo que o parceiro (a). Já quando acontece uma briga ou discordância, dizemos que o ritmo foi quebrado, portanto, interrompido em sua harmônica melodia. O ritmo pode ser pessoal, visto cada individuo ter o seu “tempo”, como pode ser coletivo, ao agrupar várias pessoas em uma situação como a dança; ressaltando, sobretudo, o sincronismo.

A mulher cigana usa a Dança do Pandeiro em ritmos distintos e como fundamentos oportunos: para demonstrar contentamento e espontaneidade, para agradecer a boa colheita, para seduzir quem lhes interessa, para saudar seus ancestrais, e em rituais místicos; nos quais louvam tanto o Sol como a Lua, entrando assim em contato direto como o Cosmo. Cada cadência tem seu objetivo, e corpo e mente respondem à freqüência das batidas do pandeiro, até de forma inconsciente... Tal como os corações apaixonados correspondem de maneira serena ou descompassados quando em estado de reciprocidade.



Valéria Fernandes

Pintura de Maria do Carmo da Hora

23/07/2009

Coração Cigano

Se a aventura que me instiga, me fez pelo mundo vagar... Ela me fez também cigano na vida, vida que só tenho que me orgulhar. Só porque sou cigano, não sou estrangeiro na tua terra, pois o mundo, todo ele, é meu lar... E nele, mais estrangeiro és tu, que só a tua pátria, dizes tu, saber amar. E, bem ao contrário de ti, não tenho o que, ou a quem odiar.

Não me peças então, para brigar por ti, tua insana guerra. Porque sou cigano me chamas de vagabundo? Se nada te devo, não tens o que me cobrar... Talvez... por benesses de grilhões que nunca de ninguém quis aceitar? Cigano porque não sei, ou não tenho a quem amar? Bem, amo a mulher que desejar, e se meu amor é como a flor, que desabrocha, encanta e fenece... também como fumaça, ele desaparece... sem deixar dor, perdido no infinito como uma prece.
  • Tela de Mirelle Audffred
  • Desconheço autoria do texto

21/07/2009

Sociedade Cigana

Tornou-se comum eu ser indagada dos porquês que me fazem gostar do Povo Cigano, e sem dúvida poderia responder por várias vias, sendo que na verdade, existe em mim um certo desvelo por pessoas (ou grupos delas) que de alguma forma se sentem excluídas, à margem da sociedade em que estamos inseridos. O Povo Sem Fronteiras sempre foi confundido, até então é perseguido, pior, menosprezado. E me custa entender as razões reais para esse tipo de conduta, já que a Sociedade Cigana é bem alicerçada dentro de suas propostas e padrões, isso, sem ter uma terra própria para solidificar suas tão nobre raízes.

Gosto sempre de pensar nessa gente unida, que não se vende às tradições alheias e nem se deixa envolver em guerras e disputas pelo poder. Faz muito bem para minha alma sentir a grande capacidade de ação e superação que eles têm em meio a tanto preconceito descabido. Melhor ainda para acariciar meu espírito é jamais ter visto em manchetes de jornais uma notícia de que um cigano teria matado seu pai ou sua mãe, ou abandonado uma criança recém-nascida ou mesmo seqüestrado alguém. E se um dia eu vier a ouvir algo do gênero, tenho certeza que será um caso a parte, bem diferente do que acontece entre nós não-ciganos, que se tornou comum vivenciar tais fatos todos os dias e em todos os lugares do planeta com acontecimentos “normais”.

  • Valéria Fernandes

19/07/2009

Cigana Lella

A Cigana Lella é uma mentora espiritual pela qual sempre tive muita simpatia simplesmente pelo fato de admirar sua imagem durante um período aproximado de dois anos, e ao sentir periodicamente suas vibrações energéticas quando eu me colocava a sua frente. Ela foi retratada pela pintora mediúnica Rosa Teubl e atua na aura das pessoas sensitivas que trabalham com oráculos, principalmente quando se trata de Tarô e de Cartas Ciganas.

Surpreendentemente, Lella apareceu em meus sonhos esses dias, sendo mais precisa, na madrugada de quinta para sexta desta semana que findou. Não surgiu em meio às nuvens como uma aparição envolta em mistérios e enigmas, e sim de forma suave e delicada para me dar alguns “recados” enquanto se sentava bem de mansinho em minha cama. Ao vê-la, pressenti de imediato um dos assuntos (que seria um trabalho que faria na manhã do dia seguinte), e não deu outra, foi exatamente o que ela logo me falou. A Cigana Lella disse-me “quase” tudo que iria acontecer e até me advertiu para um possível contratempo com uma “máquina dos tempos modernos” (que não ocorreu por eu já me encontrar avisada), só não me disse o quão magnífico seria a experiência vivida por mim e por quem me rodeava; tive que descobrir ali, experimentando minuto a minuto.
Muita atenta como quem está acordada, dava-lhe toda atenção que podia e, acanhadamente pedi-lhe sua benção que me foi dada em pleno sono. Houve mais duas revelações íntimas em nossa conversa, e cada momento eu me sentia mais agraciada com a presença da Mentora. Desconheço os motivos de merecimento para receber tão nobre visita, mas agradeço de coração a Cigana Lella por sua doçura e meiguice, e evidentemente, por seus cuidados para comigo.

Ao acordar, ainda meio que maravilhada com os sonhos noturnos, a primeira coisa que pensei foi que os sentimentos puros não precisam ser arrebatadores e obrigatoriamente nos deixar em estado de êxtase, precisam, sobretudo, de serem embasados na simples sinceridade que vem do coração.
  • Valéria Fernandes

17/07/2009

Baralho Cigano – Uso pessoal

Muitas pessoas me escrevem perguntando que Baralho Cigano faço uso, e estava ficando difícil de responder devido à diversidade deles e semelhança entre si. Embora eu tenha vários e de autores diferentes (para efeito de coleção), o que manuseio no dia-a-dia pode ser encontrado no mercado com bastante facilidade e preço bem acessível.

Não há um nome específico posto ser mais um dos que são inspirados no pioneiro Petit Lenormand. A imagem que estou disponibilizando, bem como o nome e o número de cada lâmina, ajudaram na identificação de um igual. As embalagens mudam, portanto, a caixa não deve ser considerada como parâmetro para futuras aquisições. É importante averiguar que não há títulos nas cartas, somente a numeração. Normalmente esse tipo de baralho é acompanhado de um mínimo manual com o nome de cada lâmina e de seus sucintos significados.

  • As Cartas

1- O Cavaleiro; 2- O Trevo; 3- O Navio; 4- A Casa; 5- A Árvore; 6- As Nuvens; 7- A Cobra; 8- O Caixão; 9- O Ramalhete; 10- A Foice; 11- O Chicote; 12 - Os Pássaros; 13- A Criança; 14- A Raposa; 15- O Urso; 16- A Estrela; 17- A Cegonha; 18- O Cão; 19- A Torre; 20- O Jardim; 21- A Montanha; 22- Os Caminhos; 23- O Rato; 24- O Coração; 25- O Anel; 26- Os Livros; 27- A Carta; 28- O Homem; 29- A Mulher; 30- Os Lírios; 31- O Sol; 32- As Honrarias; 33- A Chave; 34- Os Peixes;35- A Âncora;36- A Cruz.

  • Valéria Fernandes

14/07/2009

Lora Duguay

Há cerca de aproximadamente um mês, a pintora norte-americana Lora Duguay entrou em contato comigo concedendo a mim os direitos legais de usar suas pinturas no Vida Cigana sem que seja preciso consultá-la previamente em futuras ocasiões. Fiquei muito feliz com seu gesto e as com nossas trocas de e-mails; ressalto ainda que Lora demonstrou grande simpatia e admiração pelo trabalho feito aqui, e ainda tive o prazer de tê-la como seguidora do meu blog.

Lora Duguay é doce, meiga, entretanto uma mulher guerreira; fez da poliomielite uma arma a ser usada em seu favor, espalhando cor e beleza para as vidas opacas ou mesmo incolor. Sua arte é fabulosamente apaixonante, devido condensar os mais profundos sentimentos captados por sua alma em suas retratações. As ciganas da pintora se dividem em olhares longínquos e fugidios ou diretos e quase verbais. Suas telas também são dedicadas a nos aproximar da cultura indígena de sua terra natal, bem como da natureza, das crianças e dos animais.

Qualquer palavra minha, por mais que eu tente exaltar a pintura de Lora, ficará à margem da realidade. Portanto, convido a todos que vejam com seus olhos, de preferência os do coração.
  • Valéria Fernandes


Imagem Lora Duguay Copyright 2009 - Todos os Direitos Reservados. Usada com permissão da autora.

12/07/2009

Chaves Libertadoras

Desgosto. Qualquer contratempo aborrece. No entanto, sem desgosto, a conquista de experiência é impraticável.
Obstáculo. Todo empeço atrapalha. Sem obstáculo, porém, nenhum de nós consegue efetuar a superação das próprias deficiências.
Decepção. Qualquer desilusão incomoda. Todavia, sem decepção, não chegamos a discernir o certo do errado.
Enfermidade. Toda doença embaraça. Sem a enfermidade, entretanto, é muito difícil consolidar a preservação consciente da própria saúde.
Tentação. Qualquer desafio conturba. Mas, sem tentação, nunca se mede a própria resistência.

Prejuízo. Todo golpe fere. Sem prejuízo, porém, é quase impossível construir segurança nas relações uns com os outros.

Ingratidão. Qualquer insulto à confiança estraga a vida espiritual. No entanto, sem o concurso da ingratidão que nos visite, não saberemos formular equações verdadeiras nas contas de nosso tesouro afetivo.

Desencarnação. Toda morte traz dor. Sem a desencarnação, porém, não atingiríamos a renovação precisa largando processos menos felizes de vivência ou livrando-nos da caducidade no terreno das formas.

Do livro “Paz e Renovação” - de Francisco Cândido Xavier – Espíritos Diversos

10/07/2009

Cigana Dália

Pele resplandecente e bem maquiada, cabelos negros que aderem aos sutis movimentos, semblante festivo e muitos adornos em cor dourada parecem conduzir esta linda cigana a desfilar pelas veredas de seu clã, com quem atrai para si os olhares de que desejar. Sua maneira instintiva de puxar a saia rodada, assim como a forma que segura a taça com a mão esquerda, são dicas de que ela que esteja em pleno bailado entre tendas que se instalaram mansamente em solos passageiros como é de costume dos ciganos.



Em parte o que descrevi é verdade, mas por outro lado, foi mera suposição do meu hábito de ler imagens simbolicamente fechar tão precipitadamente uma conclusão. Percebi que havia algo mais e passei a sentir a presença desta simpática e acolhedora cigana mais fortemente. Começamos a nos comunicar quando ela me disse que seu nome é Dália, que gosta de cantar e de dançar, mas que em sua retratação terrena não está em festa, e sim dentro de um vagão fazendo Leitura da Sorte por meio de uma taça com água. Disse-me que fala de tudo um pouco a quem por ela procura em virtude de sua vidência desde menina, e que quando o assunto trata das finanças, é sempre um bom desafio abrir os caminhos daqueles que sentem dificuldade em se estabelecer. Deu duas dicas para atrair trabalho e bons negócios: tomar quatro semanas seguidas banhos de com 3 paus de canela e 7 folhas de louro e carregar sempre 7 grãos de milho, 7 grãos de arroz e 3 moedas douradas em um saquinho amarelo acetinado. Para agradar a Cigana Dália pode-se firmar velas amarelas e brancas como também ofertá-la flores do campo e frutas diversas.

  • Valéria Fernandes

    Mensagem canalizada por mim através da “Minha Cigana” no dia 8 de julho de 2009.


  • Tela de Maria do Carmo da Hora

08/07/2009

Gisely Artesã

O artesanato a cada dia tem conquistado seu espaço, não só no Brasil como em terras estrangeiras, mas é por aqui que tenho feito grandes descobertas quando o assunto diz respeito à manifestação da espiritualidade. Em minhas navegações pela internet a atividade de uma artesã chamou por demais minha atenção, especificamente devido à inovadora forma como a artista conduz suas obras.
Retratações feitas em gesso de santos, anjos, orixás, ciganos e de outros motivos para culto e adoração são comuns de serem encontrados no mercado, sendo esta a forma que o homem estabeleceu desde a mais remota ancestralidade de intermediar sua ligação da Terra com os Céus; costume místico e ritualístico que sem dúvida alivia a alma e aproxima o ser humano do Divino. Mas quando as reproduções chegam próximas demais às imagens que temos em mente, a impressão obtida é de estarmos não apenas diante de um objeto de culto, e sim do próprio Ser Superior que sublima o nosso espírito.

Ao me deparar com as estatuetas da artesã Gisely encontrei traços de veracidade em gesso ainda não experimentados por mim. Em virtude da minha estreita relação com o povo sem fronteiras, recebi das criações ciganas raras vibrações; motivo pelo qual decidi divulgar a atividade desta artesã. A artífice veste suas estatuetas com tecidos finos, pedrarias, cores e estampas diversas, cabelos sintético, além de introduzir pequenos elementos vinculados a sua proposta que enriquecem ainda mais seu singular trabalho. Minha paixão primeira foi realmente pelos ciganos, no entanto a produção de Gisely vai além do âmbito espiritualista, a começar pelas belíssimas odaliscas que ela sabe muito bem diferenciar das mulheres ciganas. Em sua loja virtual há também damas, princesas, guardiões, santos, anjos, orixás, índios, africanos e diversidade de artigos para decoração.

Quando paro para contemplar a arte de Gisely Artesã, os detalhes fascinam meus olhos em razão da perfeição de suas delicadas esculturas. Postura, cor de pele e de olhos, modelos de roupas e assessórios bem cuidados marcam um trabalho que, em minha opinião, está longe de ser considerado só material.
O Casal de Ciganos que escolhi para ilustrar o texto separadamente de uma pequena junção de fotografias, parece estar falando aos meus ouvidos os reais motivos de suas existências. Não são apenas figuras estáticas que para um olhar descuidado pode vir aparentar, têm essência, alma, vida.

Através do Blog Gisely Artesã, com vasto material em exposição que estou disponibilizando o link, há acesso direto à loja onde podemos adquirir os frutos deste magnífico ofício certamente abençoado por Deus.

  • Valéria Fernandes

06/07/2009

Boas Novas da Cigana Valquiria do Oriente Maior

Na postagem do dia 8 de maio deste ano prometi a quem acompanha o Vida Cigana, caso eu encontrasse alguma informação sobre a Cigana Valquiria do Oriente Maior, a tornaria pública, para dessa forma dividir os conhecimentos com todos interessados. Agora cá estou para reafirmar o prometido.

Uma leitora de nome Vanessa Machado gentilmente me escreveu há três dias e deu boas novas. Segundo a mesma que se diz pertencer a uma doutrina crística e espiritualista denominada de Vale do Amanhecer, no qual há um belo trabalho com várias falanges de espíritos de luz criada por Tia Neiva a quem Vanessa se refere de "Mãe Clarividente", é de lá que poderemos obter algum saber maior sobre o assunto. Nossa “porta-voz” me contou que a Cigana Valquiria representa uma falange chamada Ciganas Aganaras do Amanhecer, e que a Tia Neiva designou ao pintor Vilela que tem sensibilidade para ver espíritos, a missão de retratar a Cigana. Os motivos da retratação não foram mencionados, mas com este direcionamento já temos em mãos um ponto de partida para eventuais pesquisas sobre Cigana Valquiria do Oriente Maior.

E como havia intuído anteriormente, ao tratar de arte e de espiritualidade, o ideal é colhermos informações para não ficarmos a ermo em nossas conjecturas.


Obrigada Vanessa. Abraços de Luz!

  • Valéria Fernandes

04/07/2009

União Espiritual dos Ciganos

Ao chamarmos um cigano (a) para nos ajudar em algum propósito, é natural que pensemos somente naquele cujos costumes e preferências nos são familiar; na grande maioria dos casos pensamos no cigano (a) que nos acompanha e temos afinidade maior.

Com o passar do tempo e trabalhando com eles, descobri que jamais estamos assistidos apenas por um cigano (a), muito embora dedicando e agradecendo os intentos com nome específico. Quando em suas passagens pela Terra os Filhos do Vento sempre andam em grupo, viajam em caravanas, armam acampamentos e, unidos, traçam seus caminhos para o bem comum. Então porquê seria diferente no plano espiritual? Não é! Ao clamarmos por um determinado cigano (a) fagulhas de luz iluminam nosso campo energético e imediatamente uma pequena legião vem em nosso auxílio, nos dando proteção sem que saibamos de suas presenças.

A partir do momento que tais informações chegaram aos meus ouvidos, mudei de postura e sempre agradeço aos ciganos no geral com orações sem destinar a um único nome. Para fazê-lo com vela, o indicado é ascender uma verde, que representa a terra desbravada por esses seres luz.
  • Valéria Fernandes

03/07/2009

E-mails ainda não respondidos

Peço aos leitores do Vida Cigana desculpas não ter tido tempo de responder nos últimos sete dias a todos os e-mails que não sejam referentes as Canalizações Ciganas ou Consultas e Curso de Tarô. Há períodos que o ritmo de trabalho causa grande sobrecarga, tornando difícil dar atenção devida àqueles que me escrevem com espera de retorno imediato. Farei o possível para agilizar as respostas, dando continuidade a esses momentos de troca de conhecimentos e crescimento pessoal que nos faz tão bem.

Abraços de luz, Valéria Fernandes

  • Tela de Marcel Lorange

02/07/2009

Dúvidas e Certezas

Há talentos nas mais variadas esferas da vida, mas quando trata-se da prática espiritual e com os ciganos, há que ter sempre em mente a tendência individual de cada ser em seu estado de evolução, para assim sabermos ouvir a voz interior que nem sempre é tão fácil de ser entendida e decifrada. Por vezes, muitas vezes, despertamos espontaneamente, sem sequer acreditarmos que estamos bem ou mal assistidos e, milhões de interrogações surgem em nossa frente como querendo nos fazer desistir, e é exatamente quando o conflito está instaurado, que as certezas começam a aparecer em seu esplendor maior. Certamente o que o pensar duvidoso é altamente válido, pois mostra os valores e ética no qual embasamos o próprio viver.

Ontem, ao ter uma longa conversa com uma grande amiga, ela resolveu enveredar por “terras ciganas” sob minha orientação. Sua resolução me deixou em um estado de contentamento imenso por conhecer sua integridade e seus dons humanitários e espirituais, porém, de antemão deixo a minha querida amiga o que acredito ser uma preciosa dica: dúvidas e certezas vão acompanhá-la em sua caminhada de aprendizado, e se não as tiver, tenha dúvida se escolheu o caminho adequado, e a certeza que em algum momento as respostas surgiram.

  • Valéria Fernandes

30/06/2009

Vida de Cigana

Longe das tendas de veludo, das roupas acetinadas e do brilho dos metais que favorecem um bom visual, a mulher cigana em sua grande maioria cultiva vida simples, ganha pouco, faz trabalhos temporários devido a não criar vínculos em terras alheias e ajuda no sustento de suas famílias; cuidando também de seus filhos, maridos e clãs.

As calçadas e as ruas são locais por onde a mulher cigana procura um contato mais próximo com os não-ciganos, na qual se oferece para ler sorte, no entanto, a resistência e por vezes a repulsa e o medo de quem não conhece seu modo de vida, impede que ela aja de acordo com sua natureza batalhadora e trabalhadora, sem temor em enfrentar as dificuldades.

Uma cigana não representam perigo algum, ao contrário, há sempre de ter uma palavra de incentivo, uma dica de bom agouro que pode fazer o dia de um indivíduo bem mais alegre e ensolarado. Ao encontrar com uma não dê as costas, dê-lhe atenção, pois uma cigana sempre tem algo mais de sabedoria a nos dizer.

  • Valéria Fernandes

    Tela de Dario