Cigana Carmem
A única vez que tive contato
com uma cigana de nome Carmem faz muito tempo, lembro que, logo que ela aportou
fiquei observando ao longe já paramentada com vestuário cigano, passado um
tempo ela se aproximou e puxou conversa comigo. Muito amável e de porte requintado,
disse que sabia porque eu estava ali diante dela, era para saber sobre seus
gostos e seu modo de trabalho. Não contive um riso envergonhado, mas fiquei
feliz, pois na época eu praticamente entrevistava todo Espírito Cigano que
encontrava pela frente. A cigana Carmem me disse que gostava de matons (xales bordados típicos da Espanha),
de leques e de cigarrilha por ter um “pito”, ela também falou gostar da cor
vermelha e de argolas, sem citar preferência de cor. Carmem não demonstrou nenhum sotaque
espanhol, somente a palavra “manton” remetia diretamente à Espanha. Conversei com
Carmem o quanto pude, então ela pediu licença à minha cigana Esmeralda que ela
via ao meu lado para me dar um passe, e assim o fez. Nesse dia eu tinha em
minha bolsa um xale da minha cigana Maria Dores (conforme as Ciganas vão
chegando eu mudo os paramentos), então foi a vez de eu pedir a Dolores o xale
para presentear aquela adorável cigana que alegrou ainda mais minha noite. Entreguei
a cigana Carmem o maton cor de vinho
com bordados dourados e, através da médium que cedia passagem, ela me abraçou
longamente e falou que estava levando com ela a energia abençoada de todos os
meus Guias Ciganos, prontificando-se a me atender se eu chamasse por ela, sem
intermediários. Sobre a sua magia ela revelou algumas coisas, mas pediu que eu
as guardasse só para mim. Hoje, quando lembro de Carmem, não consigo enxergar o
rosto da médium, vejo o dela. Experiência única e muito gratificante.
Valéria
Fernandes
