08/10/2019

Cigana Carmem


A única vez que tive contato com uma cigana de nome Carmem faz muito tempo, lembro que, logo que ela aportou fiquei observando ao longe já paramentada com vestuário cigano, passado um tempo ela se aproximou e puxou conversa comigo. Muito amável e de porte requintado, disse que sabia porque eu estava ali diante dela, era para saber sobre seus gostos e seu modo de trabalho. Não contive um riso envergonhado, mas fiquei feliz, pois na época eu praticamente entrevistava todo Espírito Cigano que encontrava pela frente. A cigana Carmem me disse que gostava de matons (xales bordados típicos da Espanha), de leques e de cigarrilha por ter um “pito”, ela também falou gostar da cor vermelha e de argolas, sem citar preferência de cor. Carmem não demonstrou nenhum sotaque espanhol, somente a palavra “manton” remetia diretamente à Espanha. Conversei com Carmem o quanto pude, então ela pediu licença à minha cigana Esmeralda que ela via ao meu lado para me dar um passe, e assim o fez. Nesse dia eu tinha em minha bolsa um xale da minha cigana Maria Dores (conforme as Ciganas vão chegando eu mudo os paramentos), então foi a vez de eu pedir a Dolores o xale para presentear aquela adorável cigana que alegrou ainda mais minha noite. Entreguei a cigana Carmem o maton cor de vinho com bordados dourados e, através da médium que cedia passagem, ela me abraçou longamente e falou que estava levando com ela a energia abençoada de todos os meus Guias Ciganos, prontificando-se a me atender se eu chamasse por ela, sem intermediários. Sobre a sua magia ela revelou algumas coisas, mas pediu que eu as guardasse só para mim. Hoje, quando lembro de Carmem, não consigo enxergar o rosto da médium, vejo o dela. Experiência única e muito gratificante.

Valéria Fernandes