13/06/2011

Vestimenta Cigana

Existem ciganos de toda sorte: pobres, remediados e ricos, mas será que todos desfrutam de vestuário pomposo e de indumentárias resplandecentes como ecoa no imaginário popular? Certamente que a distinção de classes, também comum ao o povo desta etnia, já estabelece uma resposta incontestável, mas não inviabiliza o gosto pela alegria e pelo excesso.




O povo cigano tem um jeito singular de perpetuar sua cultura, e a vestimenta extravagante nos modelos, cores e acessórios não é regalia de poucos. Ao contrário do que se pensa, muitos cidadãos ciganos e cultuadores de espíritos ciganos podem vestir-se de maneira diferenciada sem que seja preciso gastar fortunas em seus trajes. Sempre houve, e por certo continuará assim, um mercado que atende a grupos sociais diversos, viabilizando tecidos e acessórios de baixo custo que dão efeito suntuoso em mãos hábeis e originais. Pois a pompa da vestimenta cigana não está no valor das peças confeccionadas, e sim na forma como são conjugadas com os materiais disponíveis.



Cetins, fitas, galões, retalhos, chitas, miçangas, lantejoulas, tules, correntes douradas, moedas velhas, pedrinhas coloridas, rosas e outros materiais acessíveis podem fazer uma peça transforma-se em uma explosão original de cor e vivacidade, repercutindo aos olhos alheios como uma verdadeira ostentação de criatividade, não exatamente de riqueza. Sendo assim, a seda, as rendas trabalhadas, as fitas aveludadas, os cristais, as pedras preciosas e o ouro de lei ficam a disposição somente dos mais abastados.

E a classe pobre que é bem menos favorecida, pode comprar cetins, correntes, lantejoulas e outros adereços por mais em conta que sejam? É difícil, mas ao investigar os acampamentos ou mesmo ao olhar os ciganos andando pelas ruas nota-se, principalmente nas mulheres ciganas, que estas usam de forma criativa saias rodadas de chitas coloridas, exibem mangas bufantes, babados fartos, xales improvisados, lenços esvoaçantes, brincos graúdos, muitas pulseiras e muitos anéis simultaneamente, demarcando sua etnia e respaldando que o conceito de luxo e de cintilação dar-se de acordo com o caráter inventivo de cada um, dentro de suas possibilidades. 



Valéria Fernandes