31/08/2009

Interpretando as Cartas Ciganas

Para interpretar as Cartas Ciganas é natural o principiante recorrer a livros e páginas da internet com intuito de saber mais rapidamente sobre os significados de cada lâmina. Muito embora este caminho seja necessário para compreensão da complexidade deste instrumento de predição e de autoconhecimento, há outras vias que são nitidamente significativas e que podem auxiliar a construir uma boa interpretação.
Para começar, é essencial que se escolha um baralho cujas imagens sejam agradáveis aos olhos, pois ele será o interlocutor de quem o manuseia. Não se deve comprar o mais vendável ou o mais conhecido, e sim aquele que fala diretamente aos sentidos de quem pretende interpretá-lo. Feito isso, o convívio diário é de grande ajuda, como, por exemplo, tirar uma carta por dia e prestar atenção em sua mensagem; sem ansiedade e sem julgar previamente a carta como sendo boa ou má. Com o tempo, a tiragem de 3 cartas dará uma orientação mais rica, e assim as diferentes técnicas vão ajudando no aprimoramento do aprendizado. Outra excelente via de percepção, talvez uma das mais eficazes, se dá através do uso da sensibilidade; pela qual se pode distinguir as mensagens positivas, neutras ou negativas por meio das cores, do clima de cada ambiente, da postura das figuras e dos objetos contidos nas gravuras no ato da contemplação. Um recurso bastante produtivo é se colocar no lugar do personagem da carta (mesmo quando é um animal), e imaginar que atitudes ele está apto a tomar; e ainda pensar como este personagem se sente, se posiciona ou age. É comum encontramos nas Cartas Ciganas flores, árvores, rios, nuvens e variadas demonstrações da natureza, que são excelentes comparativos com nosso universo interior quando devidamente explorados para o acréscimo pessoal.

No mais, é preciso realmente gostar das Cartas Ciganas, ter dedicação e enxergar além do óbvio; visto a sensibilidade ser um fator de natureza inseparável do ser humano para ajudar nestes exercícios de memória emocional.
  • Valéria Fernandes
Pintura Cigana de Maria do Carmo da Hora

22/08/2009

Pintura Cigana Humanizada

Nos últimos tempos tenho me sentido regozijada pela diversificação de Pinturas Ciganas encontradas na internet, possibilitando assim aos apreciadores da arte uma releitura das imagens; e por serem muitas, decidi apresentar uma das que mais mexeu com minha sensibilidade.
Quem admira o Universo Cigano e costuma pesquisar sobre o tema, com certeza já se deparou com a montagem dessa jovem que tem o cotovelo direito apoiado em uma mesa que não é a que vemos, estando com a mão esquerda entreaberta, o que facilitou colocar-lhe uma carta em sua mão. É notório o bom aproveitamento de sua postura e semblante para encher seu ambiente de apetrechos ditos ciganos, tais como lenço na cabeça, correntinha na testa, cartas de Tarô e Bola de Cristal. Há outras versões estilizadas da mesma foto-montagem, mas fica claro para olhares atentos não se tratar de uma cigana, e sim de uma bela mulher inserida em um cenário que não convence.
Para minha alegria, dia desses encontrei a “suposta cigana” humanizada pelas belas pinceladas de Leila Ullmann. O leitor poderia indagar: como pode uma mulher não representar a alma humana e uma pintura ter tal capacidade? Torna-se fácil fazer essa distinção quando consigo sentir verdades, ou seja, quando o íntimo da artista se manifesta e envia a mensagem diretamente ao meu espírito.

Leila, mesmo mantendo traços fidedignos à fotografia, deu vida por meio de suas singulares capacidades de percepção ao usar as cores de forma impactante, ao definir os adornos velados por tons neutros e ao acrescentar adereços para enriquecer sua criação. Chamou minha atenção o lenço vermelho em contrate com figurino e pingentes azuis; no mínimo prendem a atenção de qualquer pessoa apta a sentir o coração concentrado de uma cigana em pleno exercício de seu inerente dom de interpretar as cartas. E como não poderia faltar, a artista deu um toque especial com as pulseiras e braceletes dourados com detalhes em moedas, bem ao gosto cigano.

Nesse caso, aos meus olhos, pouco importa os pormenores técnicos, a exemplo da perspectiva, em razão de ser prazeroso demais me deparar com imagens que jamais poderão ser confundidas com plágio ou apontadas como sendo sem vida.


  • Valéria Fernandes

19/08/2009

Uma Oração...

Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalante ódio. Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior. Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro. Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida. Que a música seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer. Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz. Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração. Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins. Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.
Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno. Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver. Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável! Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e atua passagem pela vida, sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome.Aquele amor que não se explica, só se sente. Que esse amor seja o teu acalanto secreto, Viajando eternamente no centro do teu ser. Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.Que jamais, em tempo algum, tu esqueças da Presença que está em ti e em todos os seres.Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz!
Desconheço autoria da Oração!

10/08/2009

Viagem ao Povo Cigano


Limpe sua mente de todos os maus pensamentos. Abra seu coração para receber a luz. Agora, faça dele uma clareira em meio à mata. Logo adiante está a estrada, o rio limpo e sereno passa ali pertinho.Tudo pronto, só aguardar. Ouça o tilintar dos artefatos batendo uns nos outros, ouça o trotar dos cavalos, riso alegre das crianças, a voz forte dos homens e o canto das mulheres.A alegria está chegando e com ela a CARAVANA DE LUZ. Uma a uma as carroças vão entrando em seu coração formam um círculo perfeito, sem inicio ou fim, representando a eternidade. Os homens se apressam em acender a fogueira que agora vai aquecer o seu coração, as crianças correm, brincam e espalham alegria por todo o seu ser. Tudo pronto, o acampamento cigano se instalou em seu coração.Você se sente querida, aquecida, alimentada, feliz. A festa desta noite é em sua homenagem. Todos em volta da fogueira, o chefe do clã inicia uma oração para agradecer a Deus e à Santa Sara pelo coração encontrado, todos agradecem. As crianças são as primeiras a saírem correndo felizes após a oração. O som de um violino corta a noite, as chamas da fogueira parecem iniciar a dança. Os mais velhos batem palmas, os jovens saem dançando ao som da melodia. Sua alma cigana falou mais alto, você rodopia feliz, a saia rodada, o lenço, os anéis, as pulseiras surgem por encanto. Você é uma cigana!!!


O tempo passa e você nem se apercebe, fecha os olhos e senta para descansar. Ao abri-los o dia já raiou, a CARAVANA DE LUZ partiu, que pena! Bem que eles podiam ficar para sempre em seu coração, mas eles são ciganos, partiram em busca de novo coração. Não fique triste... eles deixaram a fogueira,você nunca mais sentirá o frio da solidão. Deixaram alimento para alimentar sua alma, deixaram a alegria e é tanta que você pode dividi-la com todo mundo, deixaram a esperança de dias melhores, a sabedoria e a certeza de que você está pronta e por fim deixaram a cigana que você sempre foi com uma missão: a cigana tem o dom da palavra,de seus lábios sairão palavras de esperança, de fé, de humildade, de amor. Palavras que aquecerão corações solitários, palavras que levarão a paz, que iluminarão caminhos, que espalharão alegria e Santa Sara estará com você um dia em um futuro distante. Quando sua missão tiver se encerrado a CARAVANA DE LUZ vai voltar e desta vez, para te buscar, CIGANA!

Publicado no Recanto das Letras por Gil
Código do texto: T627742

06/08/2009

Pare o Mundo que eu quero descer!!!


Ontem, ao receber um e-mail de uma jovem socióloga que se corresponde comigo em razão primeira de termos afinidades com ciganos, me deu uma imensa vontade de pular fora do Mundo e descer! Isso, pela incrível capacidade que o ser humano tem de deixar de sonhar, ou melhor, de se eximir de viver, e ainda por cima tentar arrastar as “pessoas queridas” para o mesmo tipo de vibrações inferiores; que só validam suas frustrações e seus medos de se lançarem pelo que são ou pelo que gostariam de ser. Pois bem, minha amiga contava que vários indivíduos bem próximos a ela lhes disseram para parar de sonhar, para abandonar seus ideais e engavetar seus projetos que lhes são imensamente gratificantes, mesmo se não houver um boom financeiro mais na frente.

Onde estamos mesmo para sermos obrigados a ouvir tais absurdos? Que perspectivas de vida teremos nós sem os impulsos e sem a paixão pelo que fazemos e acreditamos? As dificuldades sempre existiram e continuaram existindo, faz parte do evoluir. Porém, a conduta comportamental de cada indivíduo faz toda a diferença, pois quando não desejamos encaixotar o próprio viver, surge a vontade, a garra, a superação e, com certeza, a competência que nos é inerente.

Tendo o coração endurecido, o comodismo e a privação dos anseios como base para nossa caminhada aqui na Terra, ah... não tem outra, vou parafrasear Silvio Brito e dizer em alta voz: Pare o Mundo que eu quero descer!!! Prefiro descer e entrar em outro Universo de valores e princípios mais dignos para quem se diz gente, onde não há limitações nem para o corpo e nem para a mente. Acredito piamente que somos capazes de “mover montanhas”, e claro, creio “que tudo vale a pena se alma não é pequena”...

Lançarei-me quantas vezes for preciso no Mundo que condiz com meu espírito, e sei, que a jovem em questão tem mais forças que todos os entes ao seu redor subordinados e restritos em favor de suas pequenas “verdades”.

  • Valéria Fernandes

04/08/2009

Ser Cigano...
ciganos
Ser cigano é ter uma carne, uma alma, paixões, uma pele, instintos e desejos outros; é ver o mundo com outros olhos, com a música no sangue, uma altivez selvagem, a alegria misturada com as lágrimas; a tristeza, a vida e o amor desconfiados; é evitar a rotina e a norma que castram; é, graças ao canto, embriagar-se de vinho e de beijos; é transformar a vida em nova arte cheia de capricho e liberdade; é recusar o jugo da mediocridade; é tudo apostar num único lance; é saborear, se dar, experimentar. É viver. Isso é tudo.
  • Por Mateo Maximoff

02/08/2009

A Magia da Personalidade


Para se produzir qualquer impressão na mente de quem desejamos atrair sua atenção, primeiramente é preciso se fazer notar de maneira tão expressiva, que cause impacto na imaginação do ser desejado. Ora, como isso pode ocorrer? De certo que não é através de artimanhas e de planejamentos mirabolantes, e sim por meio dos traços da personalidade em que o indivíduo é capaz de determinar seu espaço nas fantasias de outrem.

Existem pessoas que se esmeram em para aparecer a qualquer custo, no entanto dispersam os próprios dons naturais em virtude de quererem mostrar seu exterior e interior de uma só vez; atropelando dessa forma suas características mais marcantes, talvez as exatas que seriam capazes de deixar a sua marca. Todavia, tais esforços se tornam completamente nulos pela ausência de tato e de perspicácia do envolvido com a questão.
É fato que todo ser humano tem traços em comum com outros, mas também tem o poder de se apresentar singularmente quando consegue reverter oportunamente em favor de si as suas qualidades aparentemente iguais a de todos, validando em sinais ímpares e marcantes. Há quem o faça despertando admiração, boa vontade, humildade, simpatia, alegria, atitude, estilo, charme, classe, bom gosto, sensualidade, magnetismo, criatividade, inteligência; tudo isso com desenvoltura e naturalidade. Já outros registram sua presença por meio da arrogância, da insolência, do atrevimento, da altivez, da agressividade, do oportunismo e até mesmo do superior distanciamento entre tantos outros marcantes atributos.

Os expedientes para alcançar determinados fins obviamente têm vários caminhos, sempre de acordo com a individualidade de cada um. O imprescindível é sair do senso comum e ganhar na memória da pessoa almejada um lugar que não dê margem para o esquecimento ou para a mesmice. Se as impressões serão boas ou ruins, cabe somente ao interessado escolher em sua unicidade as vias para alicerçar seus intentos e gravar sua passagem.
Não é categoricamente assim que sentimos a magia da influência cigana repercutindo ao nosso redor?
  • Valéria Fernandes

Pintura Cigana de Kelly Molone

28/07/2009

Os Quatro Elementos da Natureza

Os ciganos têm uma ligação muito íntima com os Quatro Elementos da Natureza, pois apóiam seus encantamentos e magias nas forças naturais disponíveis no Universo. Tentei de forma resumida reunir algumas das principais características simbólicas que podem ser encontradas na Água, na Terra, no Fogo e no Ar.
espaço
  • Água
O elemento Água simboliza os sentimentos, a receptividade a intuição, os sonhos, os afetos, os prazeres, o amor, a paixão, a proteção, o acolhimento, a nutrição, a sensação, a sensibilidade, a espiritualidade, o misticismo, as memórias, o romantismo, as artes e os ideais. Na visão negativa evidencia as ilusões, as quimeras, as fantasias, os enganosos, as confusões emocionais, o excesso de idealização do futuro e de interiorização.

Entre espíritos elementares da Água ressalta-se as Ondinas, as Sereias e as Ninfas.
  • Terra
O elemento Terra simboliza a concretização, a prática, o realismo, o desenvolvimento, a preservação, a frutificação, o esforço, a dedicação, o comércio, o dinheiro, a fecundidade, o corpo, o prazer, a segurança, a expansão, a propriedade e a estabilidade. De forma negativa evidencia a ambição, o materialismo, a possessividade, o apego, a avareza, a rigidez e a resistência ao novo.

Entre espíritos elementares da Terra ressalta-se os Gnomos e os Duendes.
  • Fogo

O elemento Fogo simboliza a vontade, a inspiração, a criação, a força criadora, o ânimo, a iniciativa, o progresso, os empreendimentos, o desenvolvimento, o idealismo, a invenção, a energia, as vivências e os acontecimentos. Em seu sentido negativo evidencia a voluntariedade, a presunção, a intolerância, o exibicionismo, o egoísmo, a ambição e os atritos.

Entre espíritos elementares do Fogo ressalta-se as Salamandras.

  • Ar
O elemento Ar simboliza o pensamento, a inteligência, a racionalidade, a objetividade, o equilíbrio, a capacidade de julgamento, o intelecto agudo, o conhecimento claro, a distinção, a decisão, a ação, a luta, a tática, o verbo, o espírito crítico, a perspicácia e os conceitos. Negativamente evidencia o cinismo, a pretensão, a frieza, o calculismo, a impiedade e a ausência de sentimentos.

Entre espíritos elementares do Ar ressalta-se os Silfos e os Gigantes.
  • Valéria Fernandes

Desconheço autoria das imagens

27/07/2009

Morre Lentamente

Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói seu amor próprio,
Quem não se deixa ajudar,
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito
Repetindo todos os dias os mesmos trajetos.
Quem não muda de marca,
Não se arrisca a vestir uma nova cor
Ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão
E seu redemoinho de emoções,
Justamente as que resgatam o brilho dos olhos
E os corações aos tropeços.
Morre lentamente quem não vira a mesa
Quando está infeliz com o seu trabalho ou amor,
Quem não arrisca o certo pelo incerto
Para ir atrás de um sonho.
Quem não se permite
Pelo menos uma vez na vida,
Fugir dos conselhos sensatos...
Viva hoje!
Arrisque hoje!
Faça hoje!
Não se deixe morrer lentamente!
Não se esqueça de ser feliz!
  • Pablo Neruda
Uma semana de Vida para todos!!!

25/07/2009

A Dança do Pandeiro

Até os dias de hoje não se sabe ao certo a procedência da Dança do Pandeiro, e do que é de meu conhecimento, a origem cigana aponta para uma hipótese bastante confiável. Contudo, independente de fatos históricos ligarem ou não ao povo cigano, este instrumento tem registros desde a mais remota antiguidade; seja nos ritos religiosos, em festas de cunho comemorativo ou no entretenimento cotidiano.

Os sons do pandeiro, juntamente com a dança exercida por meio dele, têm um simbolismo rítmico de grande importância na vida das pessoas que buscam harmonizar o corpo e a mente. Em algumas culturas a percussão é fundamental para fazer um elo entre o homem e sua própria consciência, ou entre o homem e a divindade; devido aos movimentos cadenciados despertarem os estímulos não apenas corporais, mas também emocionais e espirituais.



O ritmo (palavra de origem grega que significa o fluir, o mover e a regulação dos movimentos) é responsável pelo condicionamento a que nos submetemos para nos sintonizarmos com algo ou alguém. É comum, por exemplo, ao no apaixonarmos, dizermos que estamos em sintonia com o outro, isto é, que estamos no mesmo ritmo que o parceiro (a). Já quando acontece uma briga ou discordância, dizemos que o ritmo foi quebrado, portanto, interrompido em sua harmônica melodia. O ritmo pode ser pessoal, visto cada individuo ter o seu “tempo”, como pode ser coletivo, ao agrupar várias pessoas em uma situação como a dança; ressaltando, sobretudo, o sincronismo.

A mulher cigana usa a Dança do Pandeiro em ritmos distintos e como fundamentos oportunos: para demonstrar contentamento e espontaneidade, para agradecer a boa colheita, para seduzir quem lhes interessa, para saudar seus ancestrais, e em rituais místicos; nos quais louvam tanto o Sol como a Lua, entrando assim em contato direto como o Cosmo. Cada cadência tem seu objetivo, e corpo e mente respondem à freqüência das batidas do pandeiro, até de forma inconsciente... Tal como os corações apaixonados correspondem de maneira serena ou descompassados quando em estado de reciprocidade.



Valéria Fernandes

Pintura de Maria do Carmo da Hora

23/07/2009

Coração Cigano

Se a aventura que me instiga, me fez pelo mundo vagar... Ela me fez também cigano na vida, vida que só tenho que me orgulhar. Só porque sou cigano, não sou estrangeiro na tua terra, pois o mundo, todo ele, é meu lar... E nele, mais estrangeiro és tu, que só a tua pátria, dizes tu, saber amar. E, bem ao contrário de ti, não tenho o que, ou a quem odiar.

Não me peças então, para brigar por ti, tua insana guerra. Porque sou cigano me chamas de vagabundo? Se nada te devo, não tens o que me cobrar... Talvez... por benesses de grilhões que nunca de ninguém quis aceitar? Cigano porque não sei, ou não tenho a quem amar? Bem, amo a mulher que desejar, e se meu amor é como a flor, que desabrocha, encanta e fenece... também como fumaça, ele desaparece... sem deixar dor, perdido no infinito como uma prece.
  • Tela de Mirelle Audffred
  • Desconheço autoria do texto

21/07/2009

Sociedade Cigana

Tornou-se comum eu ser indagada dos porquês que me fazem gostar do Povo Cigano, e sem dúvida poderia responder por várias vias, sendo que na verdade, existe em mim um certo desvelo por pessoas (ou grupos delas) que de alguma forma se sentem excluídas, à margem da sociedade em que estamos inseridos. O Povo Sem Fronteiras sempre foi confundido, até então é perseguido, pior, menosprezado. E me custa entender as razões reais para esse tipo de conduta, já que a Sociedade Cigana é bem alicerçada dentro de suas propostas e padrões, isso, sem ter uma terra própria para solidificar suas tão nobre raízes.

Gosto sempre de pensar nessa gente unida, que não se vende às tradições alheias e nem se deixa envolver em guerras e disputas pelo poder. Faz muito bem para minha alma sentir a grande capacidade de ação e superação que eles têm em meio a tanto preconceito descabido. Melhor ainda para acariciar meu espírito é jamais ter visto em manchetes de jornais uma notícia de que um cigano teria matado seu pai ou sua mãe, ou abandonado uma criança recém-nascida ou mesmo seqüestrado alguém. E se um dia eu vier a ouvir algo do gênero, tenho certeza que será um caso a parte, bem diferente do que acontece entre nós não-ciganos, que se tornou comum vivenciar tais fatos todos os dias e em todos os lugares do planeta com acontecimentos “normais”.

  • Valéria Fernandes

19/07/2009

Cigana Lella

A Cigana Lella é uma mentora espiritual pela qual sempre tive muita simpatia simplesmente pelo fato de admirar sua imagem durante um período aproximado de dois anos, e ao sentir periodicamente suas vibrações energéticas quando eu me colocava a sua frente. Ela foi retratada pela pintora mediúnica Rosa Teubl e atua na aura das pessoas sensitivas que trabalham com oráculos, principalmente quando se trata de Tarô e de Cartas Ciganas.

Surpreendentemente, Lella apareceu em meus sonhos esses dias, sendo mais precisa, na madrugada de quinta para sexta desta semana que findou. Não surgiu em meio às nuvens como uma aparição envolta em mistérios e enigmas, e sim de forma suave e delicada para me dar alguns “recados” enquanto se sentava bem de mansinho em minha cama. Ao vê-la, pressenti de imediato um dos assuntos (que seria um trabalho que faria na manhã do dia seguinte), e não deu outra, foi exatamente o que ela logo me falou. A Cigana Lella disse-me “quase” tudo que iria acontecer e até me advertiu para um possível contratempo com uma “máquina dos tempos modernos” (que não ocorreu por eu já me encontrar avisada), só não me disse o quão magnífico seria a experiência vivida por mim e por quem me rodeava; tive que descobrir ali, experimentando minuto a minuto.
Muita atenta como quem está acordada, dava-lhe toda atenção que podia e, acanhadamente pedi-lhe sua benção que me foi dada em pleno sono. Houve mais duas revelações íntimas em nossa conversa, e cada momento eu me sentia mais agraciada com a presença da Mentora. Desconheço os motivos de merecimento para receber tão nobre visita, mas agradeço de coração a Cigana Lella por sua doçura e meiguice, e evidentemente, por seus cuidados para comigo.

Ao acordar, ainda meio que maravilhada com os sonhos noturnos, a primeira coisa que pensei foi que os sentimentos puros não precisam ser arrebatadores e obrigatoriamente nos deixar em estado de êxtase, precisam, sobretudo, de serem embasados na simples sinceridade que vem do coração.
  • Valéria Fernandes

17/07/2009

Baralho Cigano – Uso pessoal

Muitas pessoas me escrevem perguntando que Baralho Cigano faço uso, e estava ficando difícil de responder devido à diversidade deles e semelhança entre si. Embora eu tenha vários e de autores diferentes (para efeito de coleção), o que manuseio no dia-a-dia pode ser encontrado no mercado com bastante facilidade e preço bem acessível.

Não há um nome específico posto ser mais um dos que são inspirados no pioneiro Petit Lenormand. A imagem que estou disponibilizando, bem como o nome e o número de cada lâmina, ajudaram na identificação de um igual. As embalagens mudam, portanto, a caixa não deve ser considerada como parâmetro para futuras aquisições. É importante averiguar que não há títulos nas cartas, somente a numeração. Normalmente esse tipo de baralho é acompanhado de um mínimo manual com o nome de cada lâmina e de seus sucintos significados.

  • As Cartas

1- O Cavaleiro; 2- O Trevo; 3- O Navio; 4- A Casa; 5- A Árvore; 6- As Nuvens; 7- A Cobra; 8- O Caixão; 9- O Ramalhete; 10- A Foice; 11- O Chicote; 12 - Os Pássaros; 13- A Criança; 14- A Raposa; 15- O Urso; 16- A Estrela; 17- A Cegonha; 18- O Cão; 19- A Torre; 20- O Jardim; 21- A Montanha; 22- Os Caminhos; 23- O Rato; 24- O Coração; 25- O Anel; 26- Os Livros; 27- A Carta; 28- O Homem; 29- A Mulher; 30- Os Lírios; 31- O Sol; 32- As Honrarias; 33- A Chave; 34- Os Peixes;35- A Âncora;36- A Cruz.

  • Valéria Fernandes

14/07/2009

Lora Duguay

Há cerca de aproximadamente um mês, a pintora norte-americana Lora Duguay entrou em contato comigo concedendo a mim os direitos legais de usar suas pinturas no Vida Cigana sem que seja preciso consultá-la previamente em futuras ocasiões. Fiquei muito feliz com seu gesto e as com nossas trocas de e-mails; ressalto ainda que Lora demonstrou grande simpatia e admiração pelo trabalho feito aqui, e ainda tive o prazer de tê-la como seguidora do meu blog.

Lora Duguay é doce, meiga, entretanto uma mulher guerreira; fez da poliomielite uma arma a ser usada em seu favor, espalhando cor e beleza para as vidas opacas ou mesmo incolor. Sua arte é fabulosamente apaixonante, devido condensar os mais profundos sentimentos captados por sua alma em suas retratações. As ciganas da pintora se dividem em olhares longínquos e fugidios ou diretos e quase verbais. Suas telas também são dedicadas a nos aproximar da cultura indígena de sua terra natal, bem como da natureza, das crianças e dos animais.

Qualquer palavra minha, por mais que eu tente exaltar a pintura de Lora, ficará à margem da realidade. Portanto, convido a todos que vejam com seus olhos, de preferência os do coração.
  • Valéria Fernandes


Imagem Lora Duguay Copyright 2009 - Todos os Direitos Reservados. Usada com permissão da autora.

12/07/2009

Chaves Libertadoras

Desgosto. Qualquer contratempo aborrece. No entanto, sem desgosto, a conquista de experiência é impraticável.
Obstáculo. Todo empeço atrapalha. Sem obstáculo, porém, nenhum de nós consegue efetuar a superação das próprias deficiências.
Decepção. Qualquer desilusão incomoda. Todavia, sem decepção, não chegamos a discernir o certo do errado.
Enfermidade. Toda doença embaraça. Sem a enfermidade, entretanto, é muito difícil consolidar a preservação consciente da própria saúde.
Tentação. Qualquer desafio conturba. Mas, sem tentação, nunca se mede a própria resistência.

Prejuízo. Todo golpe fere. Sem prejuízo, porém, é quase impossível construir segurança nas relações uns com os outros.

Ingratidão. Qualquer insulto à confiança estraga a vida espiritual. No entanto, sem o concurso da ingratidão que nos visite, não saberemos formular equações verdadeiras nas contas de nosso tesouro afetivo.

Desencarnação. Toda morte traz dor. Sem a desencarnação, porém, não atingiríamos a renovação precisa largando processos menos felizes de vivência ou livrando-nos da caducidade no terreno das formas.

Do livro “Paz e Renovação” - de Francisco Cândido Xavier – Espíritos Diversos

10/07/2009

Cigana Dália

Pele resplandecente e bem maquiada, cabelos negros que aderem aos sutis movimentos, semblante festivo e muitos adornos em cor dourada parecem conduzir esta linda cigana a desfilar pelas veredas de seu clã, com quem atrai para si os olhares de que desejar. Sua maneira instintiva de puxar a saia rodada, assim como a forma que segura a taça com a mão esquerda, são dicas de que ela que esteja em pleno bailado entre tendas que se instalaram mansamente em solos passageiros como é de costume dos ciganos.



Em parte o que descrevi é verdade, mas por outro lado, foi mera suposição do meu hábito de ler imagens simbolicamente fechar tão precipitadamente uma conclusão. Percebi que havia algo mais e passei a sentir a presença desta simpática e acolhedora cigana mais fortemente. Começamos a nos comunicar quando ela me disse que seu nome é Dália, que gosta de cantar e de dançar, mas que em sua retratação terrena não está em festa, e sim dentro de um vagão fazendo Leitura da Sorte por meio de uma taça com água. Disse-me que fala de tudo um pouco a quem por ela procura em virtude de sua vidência desde menina, e que quando o assunto trata das finanças, é sempre um bom desafio abrir os caminhos daqueles que sentem dificuldade em se estabelecer. Deu duas dicas para atrair trabalho e bons negócios: tomar quatro semanas seguidas banhos de com 3 paus de canela e 7 folhas de louro e carregar sempre 7 grãos de milho, 7 grãos de arroz e 3 moedas douradas em um saquinho amarelo acetinado. Para agradar a Cigana Dália pode-se firmar velas amarelas e brancas como também ofertá-la flores do campo e frutas diversas.

  • Valéria Fernandes

    Mensagem canalizada por mim através da “Minha Cigana” no dia 8 de julho de 2009.


  • Tela de Maria do Carmo da Hora

08/07/2009

Gisely Artesã

O artesanato a cada dia tem conquistado seu espaço, não só no Brasil como em terras estrangeiras, mas é por aqui que tenho feito grandes descobertas quando o assunto diz respeito à manifestação da espiritualidade. Em minhas navegações pela internet a atividade de uma artesã chamou por demais minha atenção, especificamente devido à inovadora forma como a artista conduz suas obras.
Retratações feitas em gesso de santos, anjos, orixás, ciganos e de outros motivos para culto e adoração são comuns de serem encontrados no mercado, sendo esta a forma que o homem estabeleceu desde a mais remota ancestralidade de intermediar sua ligação da Terra com os Céus; costume místico e ritualístico que sem dúvida alivia a alma e aproxima o ser humano do Divino. Mas quando as reproduções chegam próximas demais às imagens que temos em mente, a impressão obtida é de estarmos não apenas diante de um objeto de culto, e sim do próprio Ser Superior que sublima o nosso espírito.

Ao me deparar com as estatuetas da artesã Gisely encontrei traços de veracidade em gesso ainda não experimentados por mim. Em virtude da minha estreita relação com o povo sem fronteiras, recebi das criações ciganas raras vibrações; motivo pelo qual decidi divulgar a atividade desta artesã. A artífice veste suas estatuetas com tecidos finos, pedrarias, cores e estampas diversas, cabelos sintético, além de introduzir pequenos elementos vinculados a sua proposta que enriquecem ainda mais seu singular trabalho. Minha paixão primeira foi realmente pelos ciganos, no entanto a produção de Gisely vai além do âmbito espiritualista, a começar pelas belíssimas odaliscas que ela sabe muito bem diferenciar das mulheres ciganas. Em sua loja virtual há também damas, princesas, guardiões, santos, anjos, orixás, índios, africanos e diversidade de artigos para decoração.

Quando paro para contemplar a arte de Gisely Artesã, os detalhes fascinam meus olhos em razão da perfeição de suas delicadas esculturas. Postura, cor de pele e de olhos, modelos de roupas e assessórios bem cuidados marcam um trabalho que, em minha opinião, está longe de ser considerado só material.
O Casal de Ciganos que escolhi para ilustrar o texto separadamente de uma pequena junção de fotografias, parece estar falando aos meus ouvidos os reais motivos de suas existências. Não são apenas figuras estáticas que para um olhar descuidado pode vir aparentar, têm essência, alma, vida.

Através do Blog Gisely Artesã, com vasto material em exposição que estou disponibilizando o link, há acesso direto à loja onde podemos adquirir os frutos deste magnífico ofício certamente abençoado por Deus.

  • Valéria Fernandes

06/07/2009

Boas Novas da Cigana Valquiria do Oriente Maior

Na postagem do dia 8 de maio deste ano prometi a quem acompanha o Vida Cigana, caso eu encontrasse alguma informação sobre a Cigana Valquiria do Oriente Maior, a tornaria pública, para dessa forma dividir os conhecimentos com todos interessados. Agora cá estou para reafirmar o prometido.

Uma leitora de nome Vanessa Machado gentilmente me escreveu há três dias e deu boas novas. Segundo a mesma que se diz pertencer a uma doutrina crística e espiritualista denominada de Vale do Amanhecer, no qual há um belo trabalho com várias falanges de espíritos de luz criada por Tia Neiva a quem Vanessa se refere de "Mãe Clarividente", é de lá que poderemos obter algum saber maior sobre o assunto. Nossa “porta-voz” me contou que a Cigana Valquiria representa uma falange chamada Ciganas Aganaras do Amanhecer, e que a Tia Neiva designou ao pintor Vilela que tem sensibilidade para ver espíritos, a missão de retratar a Cigana. Os motivos da retratação não foram mencionados, mas com este direcionamento já temos em mãos um ponto de partida para eventuais pesquisas sobre Cigana Valquiria do Oriente Maior.

E como havia intuído anteriormente, ao tratar de arte e de espiritualidade, o ideal é colhermos informações para não ficarmos a ermo em nossas conjecturas.


Obrigada Vanessa. Abraços de Luz!

  • Valéria Fernandes

04/07/2009

União Espiritual dos Ciganos

Ao chamarmos um cigano (a) para nos ajudar em algum propósito, é natural que pensemos somente naquele cujos costumes e preferências nos são familiar; na grande maioria dos casos pensamos no cigano (a) que nos acompanha e temos afinidade maior.

Com o passar do tempo e trabalhando com eles, descobri que jamais estamos assistidos apenas por um cigano (a), muito embora dedicando e agradecendo os intentos com nome específico. Quando em suas passagens pela Terra os Filhos do Vento sempre andam em grupo, viajam em caravanas, armam acampamentos e, unidos, traçam seus caminhos para o bem comum. Então porquê seria diferente no plano espiritual? Não é! Ao clamarmos por um determinado cigano (a) fagulhas de luz iluminam nosso campo energético e imediatamente uma pequena legião vem em nosso auxílio, nos dando proteção sem que saibamos de suas presenças.

A partir do momento que tais informações chegaram aos meus ouvidos, mudei de postura e sempre agradeço aos ciganos no geral com orações sem destinar a um único nome. Para fazê-lo com vela, o indicado é ascender uma verde, que representa a terra desbravada por esses seres luz.
  • Valéria Fernandes

03/07/2009

E-mails ainda não respondidos

Peço aos leitores do Vida Cigana desculpas não ter tido tempo de responder nos últimos sete dias a todos os e-mails que não sejam referentes as Canalizações Ciganas ou Consultas e Curso de Tarô. Há períodos que o ritmo de trabalho causa grande sobrecarga, tornando difícil dar atenção devida àqueles que me escrevem com espera de retorno imediato. Farei o possível para agilizar as respostas, dando continuidade a esses momentos de troca de conhecimentos e crescimento pessoal que nos faz tão bem.

Abraços de luz, Valéria Fernandes

  • Tela de Marcel Lorange

02/07/2009

Dúvidas e Certezas

Há talentos nas mais variadas esferas da vida, mas quando trata-se da prática espiritual e com os ciganos, há que ter sempre em mente a tendência individual de cada ser em seu estado de evolução, para assim sabermos ouvir a voz interior que nem sempre é tão fácil de ser entendida e decifrada. Por vezes, muitas vezes, despertamos espontaneamente, sem sequer acreditarmos que estamos bem ou mal assistidos e, milhões de interrogações surgem em nossa frente como querendo nos fazer desistir, e é exatamente quando o conflito está instaurado, que as certezas começam a aparecer em seu esplendor maior. Certamente o que o pensar duvidoso é altamente válido, pois mostra os valores e ética no qual embasamos o próprio viver.

Ontem, ao ter uma longa conversa com uma grande amiga, ela resolveu enveredar por “terras ciganas” sob minha orientação. Sua resolução me deixou em um estado de contentamento imenso por conhecer sua integridade e seus dons humanitários e espirituais, porém, de antemão deixo a minha querida amiga o que acredito ser uma preciosa dica: dúvidas e certezas vão acompanhá-la em sua caminhada de aprendizado, e se não as tiver, tenha dúvida se escolheu o caminho adequado, e a certeza que em algum momento as respostas surgiram.

  • Valéria Fernandes

30/06/2009

Vida de Cigana

Longe das tendas de veludo, das roupas acetinadas e do brilho dos metais que favorecem um bom visual, a mulher cigana em sua grande maioria cultiva vida simples, ganha pouco, faz trabalhos temporários devido a não criar vínculos em terras alheias e ajuda no sustento de suas famílias; cuidando também de seus filhos, maridos e clãs.

As calçadas e as ruas são locais por onde a mulher cigana procura um contato mais próximo com os não-ciganos, na qual se oferece para ler sorte, no entanto, a resistência e por vezes a repulsa e o medo de quem não conhece seu modo de vida, impede que ela aja de acordo com sua natureza batalhadora e trabalhadora, sem temor em enfrentar as dificuldades.

Uma cigana não representam perigo algum, ao contrário, há sempre de ter uma palavra de incentivo, uma dica de bom agouro que pode fazer o dia de um indivíduo bem mais alegre e ensolarado. Ao encontrar com uma não dê as costas, dê-lhe atenção, pois uma cigana sempre tem algo mais de sabedoria a nos dizer.

  • Valéria Fernandes

    Tela de Dario

29/06/2009

Quando é que vamos disputar a próxima corrida?


Você venceu! Você chegou onde queria. Se lembra quando lhe disseram que a parada iria ser dura?Muitos nem tentaram. Muitos desistiram. Muitos desanimaram. Muitos falaram que não valia a pena. Mas você chegou onde queria. Foi difícil, a pista estava escorregadia. Quantas pedras no meio do caminho. Não eram todos que aplaudiam. Alguns o olhavam com olhar de descrença, diziam: - Coitado, é um sonhador. Bolhas nos pés, tênis apertado, o suor escorrendo pelo rosto, a ladeira íngreme, e o dramático instante da dúvida:- Paro ou continuo? Uma decisão apenas sua. Alguns estavam caídos de cansaço e tédio. Havia ainda um longo caminho pela frente, e havia mais curvas do que retas. Alguém o animou - Força, cara. Alguém o provocou - E agora, cara? Alguém tripudiou - Larga disso, cara. Lembra?, você teve uma enorme vontade de ir embora, de pegar suas coisas e dizer- Tchau mesmo, quero que tudo se lixe, pra mim chega, já dei minha cota, não tem mais jeito.

E virar as costas à luta, à incompreensão, ao sacrifício. Você teve vontade de ir para uma ilha deserta onde vertessem leite e mel. Você olhou em frente. O horizonte era uma sombra parda. Mas mesmo nessa hora tensa, pelo sim pelo não, você não parou de correr. Talvez tenha diminuído o tamanho do passo, porque ninguém é de pedra e o coração da gente não pode ser medido com trena e compasso. Mas você não parou porque sabia que no meio da multidão havia um recado mudo aguardando a sua decisão. De sua decisão dependia a esperança de gente que você nem conhecia. Então você tomou um fôlego, abriu o peito, e com os pés no chão e os olhos lá na frente, mandou ver. Não importava tanto a colocação. Você lutava para construir a sua parte no edifício do destino. E foi seguindo. Sem perceber, arrastou com seu exemplo muitos que pensavam em ficar no meio do caminho. E você venceu. Você chegou onde queria.
Ou você não venceu. Você não chegou onde queria. As coisas não deram certo, você tropeçou, havia um buraco, e outro buraco, e mais um buraco no chão feito de armadilha. Você caiu, rolou, ah, houve gente que riu! Alguém vaiou. Você não venceu. Você não chegou onde queria. Esfolou a pele, abriu ferida, em vez de estrelas o cobriu um manto cravejado de ridículo. O suor de seu rosto foi em vão. Em vão seus músculos latejaram. Tudo em vão. Apanhe seu embornal de mágoa, fique de mal com o mundo, abandone a pista. Você teve a tentação.

Mas na multidão alguém esperava seu gesto de conquista. Vamos, rapaz, esfregue a perna. Levante os ombros. Não deixe que se apague o brilho dos seus olhos. Escute o bater abafado do coração que insiste. Você está vivo, e não está vivo à toa.
Você se levantou, se lembra? E a vaia lhe soou como sinfonia. Recomeçou a corrida e quando, por fim, você chegou - não em primeiro, como sonhava - mas chegou, o suor de seu rosto parecia purpurina. Todos pensavam que você estivesse satisfeito por haver chegado. Então você recolheu os retalhos de suas forças e perguntou:- Quando é que vamos disputar a próxima corrida? E foi neste momento que você venceu e chegou onde queria.

Tenham todos uma semana de luta e conquistas!
Ilustração do Romani Tarot
Desconheço a autoria do texto

27/06/2009

Cigana Luzia

De cabelos negros, volumosos e com uma franja no limiar de suas sobrancelhas, a Cigana Luzia é distinguida por se vestir de vermelho e com algum toque em cor azul-marinho em seus trajes. Suas bijuterias são muitas e nada discretas, já na cintura costuma usar um cinto de moedas douradas ou um lenço triangular amarelo sem estampas e amarrado na diagonal. Todos os tons que ela usa tem um motivo específico legitimado por suas crenças ou superstições.

Contou-me que para ela o vermelho simboliza a força do sexo feminino, o azul-marinho se refere às atitudes firmes do sexo masculino, e o amarelo atrai a luz solar que não permite segredos entre um casal. Disse-me ainda que ao fazer o uso dessas três cores no cotidiano atrairá o equilíbrio amoroso para si. Esta cigana gosta de fazer seu feitiços para reatar relacionamento ou unir casais que anteriormente tiveram uma vida em comum, estes que acontecem em dois rituais distintos para o mesmo fim: um sob a benção do Sol e o outro sob a influência da Lua. A Cigana Luzia se compadece dos casais apaixonados que se dispersam por falta de segurança e confiança dentro da relação, e por este motivo se volta principalmente para este fim. Rejeita ajudar pessoas que não são fieis com seus parceiros e recusa oferendas das mesmas sem o menor pudor. Gosta de receber orações sem que estas sejam decoradas, e suas velas devem ser acesas em 3 com as combinações das tonalidades já citadas. Suas frutas prediletas são as secas e sua bebida é a champanhe.

Luzia dá a dica para que se use o “trio cromático” indicado por ela através de objetos juntos em casa para aproximar a harmonia necessária à estabilidade e evitar que o casal sofra eventuais inconstâncias.
  • Valéria Fernandes

    Mensagem canalizada por mim através da “Minha Cigana” no dia 28 de junho de 2009.

    Imagem ilustrativa

26/06/2009

Uma Cigana

Exalto minha alma livre à liberdade!
Sob a luz do sol sigo meu destino
Alada à intuição digo a verdade.
No olhar o poder da sedução
Desvendo os segredos da magia
E da vida na palma da mão.
Com os fluídos da lua faço filtro de amor
Caminho pela vida sem jamais sentir rancor
Aos preconceitos, indiferenças e desamor.
Encanto a tristeza com promessas de amar
Enfeito meus dias, alegre a bailar
Em volteios do corpo envolto nas saias.
Sou filha dos ventos, amante das estradas
Sou mistério... inatingível,
Como uma estrela que ninguém pode tocar
A espera do meu amor.


Desconheço autoria de texto e imagem

25/06/2009

Carta Cigana O Rato

Quem tem um Baralho Cigano ou costuma se consultar com determinada freqüência sabe que a carta 23 - O Rato, bem além de indicar roubo, furto, tristeza, culpa ou decepção, assinala um período de desgaste de energia pessoal. Há baralhos cuja denominação da lâmina é exatamente O Desgaste. A carta O Rato é tida como de extrema negatividade, mas para mim serve, sobretudo de alerta.
A aparição do Rato pode ser vista como um aviso de que estamos sendo vítimas de pessoas que desejam nos sugar, seja no nível material, intelectual ou espiritual; o conhecido “vampirismo”.

É comum determos o conhecimento de alguma coisa e muitos, muitos indivíduos desejarem sugar nossa energia ao mesmo tempo, querendo, por exemplo, conhecer em profundidade a maneira que tratamos nossos assuntos íntimos e pessoais. Por vezes não é intencional por parte do “curioso”, mas quando o fazem suas incansáveis indagações, carregam parte da vitalidade que nos é necessária para terminar o dia em bom equilíbrio energético. Outro fator que nos desgasta bastante é o trabalho de cunho espiritual; posto esta ser uma tarefa bem árdua antes de chegar ao seu final. Incorporar, canalizar, abrir cartas ciganas para si ou para terceiros e atitudes afins, requerem preparação prévia e pós trabalho, sob o risco das vibrações indevidas ficarem recorrentes em volta de nós sem o adequado direcionamento. São as chamadas “energias estáticas”. E é o Rato que aponta todas essas situações para que possamos no precaver ou nos limparmos, isso de acordo com a vivência de cada um e com as cartas relacionadas.
A “simples” desorganização de uma bolsa, de uma gaveta, de um armário ou de qualquer ambiente que passamos muito tempo, também nos leva a confusão mental e nos faz consumir muita energia desnecessária. Com o surgimento desse Roedor somos avisados para que a devida organização seja feita, evitando que alimentemos a bagunça emocional, visto estarmos em eterna sintonia com o que nos acompanha e com o meio no qual estamos inseridos.
Portanto, não devemos temer o surgimento do Rato em uma tiragem, ele apenas quer passar “seu recado” de que é hora de nos protegermos das influências externas e internas, geradas por outrem ou pela ausência de cuidados de nossa parte.
  • Valéria Fernandes

Tela de Maria do Carmo da Hora

24/06/2009

Cigana Odalisca?

Uma leitora me escreveu perguntado se existia Cigana Odalisca, e como o tema é bastante interesse, optei por respondê-la com um breve comentário em público.
Prioritariamente as Odaliscas eram belíssimas mulheres servis, subservientes as suas senhoras, estas que por sua vez, eram as esposas dos sultões. As Odaliscas trabalhavam como camareira ou arrumadeira, e em sua grande maioria, habitavam o harém (parte do palácio onde se agregavam às servas do sexo feminino). Também eram designadas como escravas de sultões nas quais tinham alto valor financeiro devido à importância atribuída a beleza física das mesmas. Não necessariamente eram concubinas de seus senhores, mas quando se destacavam por suas artes de dançar, cantar e encantar, logo eram "treinadas" para servir sexualmente ao seu dono, podendo se tornar mais tarde uma de suas esposas, e assim alcançar um status mais elevado se sobressaindo entre as demais.

A beleza de suas vestimentas em cores fortes, com pedrarias, moedas, lenços finos esvoaçantes, juntamente com jóias vistosas e usadas com certo exagero, sem dúvida fazem lembrar o vestuário da Mulher Cigana. No entanto, tais semelhanças se dão apenas no âmbito da aparência e nas habilidades e gosto pela dança. Pois a mulher cigana é livre, não se deixa pertencer por quem quer que seja, e percorre o caminho que traça para si inserida em sua cultura familiar. Longe de habitar os recônditos de palácio, a mulher cigana vive em perfeita harmonia com a natureza e tem prazer em dançar tanto para o Sol com para a Lua.

  • Valéria Fernandes
Imagem das Odaliscas de Gisely

23/06/2009

 O Baralho da Vovó Cigana


O Baralho da Vovó Cigana é uma iniciativa de Tamina Thor, ilustrado por Renato Martins datado de 1995. Segundo “a autora”, o Baralho primeiramente foi pintado a óleo quando em mãos da matriarca cigana da família e repassado por duas gerações, no entanto as lâminas originais não sobreviveram ao desgaste do tempo. O resgate se deu através de sua recriação em 48 cartas com desenhos de fácil entendimento, mantendo vínculos iconográficos com a proposta inicial de suas ancestrais.

Bem diferente dos chamados “Baralhos Ciganos” de 36 cartas quando estes têm inspiração - mesmo que ao longe - no afamado Petit Lenormand, Tamina apresenta cartas com denominações totalmente fora do comum, ou porque não dizer, exóticas; visto muitos dos simbolismos da Vovó fugirem completamente as referências das Cartas Ciganas. Outros fatores interessantes de serem observados são a ausência de numeração nas lâminas e a falta da carta A Estrela encontrada em quase todos os decks disponíveis mercado.

Carta Igreja e Carta Mulher com livro aberto

As 48 lâminas se dividem em 7 cores distintas, e o pequeno livreto que acompanha o Baralho não explica os motivos pelas quais o cromatismo tem essa divisão. São 11 cartas em que o azul predominante é o claro, 4 de tonalidade azul bem mais escura, 10 ressaltando o verde-claro, 1 pigmentada de verde-petróleo, 8 cujo o amarelo se sobressai, 2 alaranjadas e 12 de cor vermelha. O diminuto manual traz dois tipos de tiragens e explicações sucintas de cada carta.
 
                                     
                                             
As cartas da Vovó Cigana na ordem do índice:

1- Mar, 2- Sol, 3-Pombal, 4- Criança, 5- Dragão, 6- Sapo, 7- Garrafa, 8-Mulher com livro aberto, 9- Mulher com ramalhete de flores, 10- Mulher com coruja no ombro, 11- Caixão, 12 - Cruz, 13- Médico, 14-Mercúrio, 15- Advogado, 16- Montanhas, 17- Homem com cavalo marrom, 18 - Homem com espada, 19- Locomotiva, 20- Navio, 21- Homem com cavalo preto, 22- Balão, 23- Escada, 24- Grade, 25- Cornucópia, 26- Cadeira, 27- Vassoura, 28- Pente, 29- Pimenteira, 30-Igreja, 31- Relógio, 32- Cão, 33-Casa, 34- Envelope, 35- Homem com cavalo malhado, 36-– Poço, 37- Cachimbo, 38- Tesoura aberta, 39- Tesoura fechada, 40- Dedo com aliança, 41 Grinalda, 42- Lua, 43- Homem com cavalo branco, 44- Mulher com as mãos cruzada, 45- Ovos, 46- Punhal, 47- Vela, 48-Galo.

Sem dúvida que O Baralho da Vovó Cigana ganha destaque por seu diferencial inovador, e, para quem gosta de um bom desafio sem pressa de como aprender manuseá-lo, é só seguir em frente sabendo que não há referenciais para seu estudo, senão a intimidade que se adquire com o uso constante.

Valéria Fernandes
Cartas digitalizadas por mim