24/02/2009

A Cigana de Vermelho


Ela é uma cigana de vestido rodado. Parece jovem quando o olhar passeia vago sem deter-se em detalhes. Parece alegre, parece rir meio de tudo e de chorar quando as coisas não tem a menor importância. Quando as coisas são grandes e querem provocar melancolia, ela dança, porque o corpo concentrado e largado no ritmo exorciza as dores - pelo menos foi o que me disse. Nem pensei em duvidar. Conversamos sobre muitas coisas sempre que eu tenho tempo para uma visita. Dentre as coisas que gosta, além da música que é sua alma, estão os cremes, perfumes e rendados xales que ela possa carregar. Nada com peso. E quando conta isso, me olha desdenhosa e francamente como a me dizer que preciso aprender a viver sem os pesos que carrego. Ela também me disse que sua cor favorita é vermelha. Perguntei se não é um pouco vulgar depois de uma certa idade - ela tem aquele semblante indecifrável de quem tem muitos anos. Mas ela riu - aquele riso sem juízo de quem ainda é criança: vermelho só é vulgar se ele não faz parte de você, se ele não te define, senão é como uma segunda pele, me respondeu. Não ousei contestar.


Eu a vi dançando, rodando as saias (imaginei que eram sete) do vestido, olhar penetrante, atirando a cabeça prá trás desafiando uma platéia imaginária. Nessa tarde fria e opaca, a sensualidade cigana que habita essa mulher iluminou o dia, e a sensação de calor tomou conta da sala que pegamos emprestada para nosso encontro marcado. Ela se transformava enquanto girava e parecia ainda mais livre. Como se isso fosse possível.

Ela me disse que mora na rua, assim mesmo, sem eira nem beira, porque paredes e tetos são prisões dissimuladas. Que muda de lá pra cá e de cá pra lá porque arrancar raízes é dolorido na hora de partir e "as partidas, você sabe, são inevitáveis", confidenciou quase num sussurro. Que tem medo do amor porque ele aprisiona mais que as paredes e os tetos e liberta mais do que as ruas - e quem pode viver num inferno desses - perguntou. Mas não esperou pela minha resposta e foi logo dizendo que não tem um nome porque, se fosse assim, seria uma e ela sabe que é um pouco de cada mulher e que cada mulher aspira um pouco dela.

Chamo-a de cigana, simplesmente, e ela, naturalmente, responde. Um dia pedi que lesse minha mão. Ela se ofendeu. Com que covardia eu esperava que ela tivesse as respostas para minhas perguntas? Com que comodidade eu queria que ela me dissesse que tudo estava definido, determinado e que o destino era um deus? Tem uma agressividade nela que me instiga a conhecê-la melhor ao mesmo tempo que ela destila suavidade. Perguntei de onde ela vinha, já que dava a entender que nem sempre sabia para onde ia. E quando ela me respondeu "Madrid", percebi que não era só uma cigana. Ainda que sem endereço, sem rumo e sem nome, ela é espanhola, flamenca e castanholas.
  • Crônica de Claudia Letti
Tela de Maria do Carmo da Hora

19/02/2009

As Sete Filosofias Cigana


  • 1- FELICIDADE - um campo aberto, um luar, um violão, uma fogueira, o canto do sabiá e a magia de uma cigana.

  • 2- ORGULHO - é saber que nunca participamos de guerras e nunca armamos para matar nossos semelhantes. Somos os menestréis da paz.

  • 3- AMOR - amar é vivermos em comunidade, é repartir o pão, nossas alegrias e até nossas aflições.



  • 4- LEALDADE - é não abandonar nossos irmãos quando precisam. É nunca negar o ombro amigo, a mão forte e o incentivo à vida.
  • 5- RIQUEZA - é termos o suficiente para seguirmos pela estrada da vida.
  • 6- NOBREZA - é fazermos da humilhação um incentivo ao perdão.
  • 7- HUMILDADE - é não importar-se em ser súdito ou nobre, importar-se apenas em saber servir.

15/02/2009

Mulher Cigana


Heroínas ou amorais, misteriosos ou charlatonas, é certo que as ciganas habitam o imaginário popular há bastante tempo por meio de suas sedutoras ambigüidades. São incompreendidas e julgadas por serem como se apresentam:-- espontaneamente libertas, vistosas, autênticas, exóticas, andarilhas, extrovertidas e descomprometidas com a sociedade que não seja àquela na qual nasceram.
A mulher cigana é educada para ler a sorte, manipular ervas e fazer magias, portanto, criada para desempenhar o misticismo com desenvoltura singularmente enigmática. Aprende a dançar, a cantar, a tocar instrumentos, a se enfeitar e a exercer o fascínio da atração.
Para a mulher cigana as cores são armas, a natureza é sagrada e seus costumes são um trunfo; instigando assim a dubiedade de pensamentos de quem não carrega estes "dons" nas veias, pois somente no ventre cigano são gerados os encantamentos ocultos, que faz duvidar a quem não compartilha de seus mesmos valores se suas habilidades são inatas ou criadas para dissimular toda uma tradição. Diria apenas que são ciganas... intrigantemente ciganas!
  • Valéria Fernandes
Desconheço a origem da gravura.

31/01/2009

Cigana
Minha alma te desperta desejos
Nunca imaginados, fagueiros.
Como o sol que avança,
Atravesso as estações,
Sem pedir licença.
Mantenho como uma pintura,
A primavera com seus encantos.
Espetáculo das dormideiras
E dos salgueiros soltos ao vento.
Sobreviventes aos vis lanhos.
Revoadas... passarinhos em orquestra
E a presença dos estranhos mochos.


Flores salpicando a paisagem,
Dos ipês amarelos e roxos.
O tapete verde jogado á beira do lago,
a espera dos cervos... lindas galhadas.
O sabor das frutas silvestres,
Ainda não experimentadas.
Teus olhos de pessoa comum
E o teu coração sem nobreza,
Não conseguem alcançar tanta beleza,
A minha essência, sou uma cigana,
Meu nome é natureza!
  • Desconheço autoria de imagem e texto.

26/01/2009

Alma Cigana

A música alegra meu coração
Danço para mim...
Encanto a multidão.
Enquanto minha saia gira sem fim
Não paro nunca não.
Gosto das cores,
tecidos, sabores, vestidos.
Gosto de ter a alma livre...
Ter a grama sob os pés
E o luar sobre a cabeça.

Por amor não me contenho
A paixão é minha sentença.
Arrisco, ouso.Vôo sem rumo...
Caio de cabeça.
Vou para qualquer lugar do mundo
Amo enquanto houver certeza.
Sigo meu instinto
Falo com clareza.
Me queira assim!
Queira um amor forte.
Não tire a beleza e alegria de mim
Siga junto!
serás livre comigo até o fim.
Pois tenho alma cigana
Alma livre...
Alma alegre.
Alma que encanta e fascina.

Tela de Audrey Rawlings Arena
Desconheço autoria do texto.

20/01/2009

Violino Cigano

A metade de veludo, o céu parece,
E as estrelas, alfinetes prateados,
Que lembram os jardins abandonados,
Onde beijos se perderam ao luar,
Traz o vento melodias amorosas,
São saudades de quem sofre por amar.




Serenata ao luar,
Sob o véu da janela,
A voz do trovador,
É um soluço de dor,
É uma queixa de amor,
Se a lua no céu,
Manda um beijo sorrindo,
Que atravessa a amplidão,
E faz sombras no chão,
E o luar é tão lindo,
Por que vives tu, a sofrer assim?
Por que, se o amor já chegou ao fim?..

Composição: C.A.Bixio / B.Cherubini
Tela de Renata – Óleo sobre tela

16/01/2009

Sonho Cigano
Embala-me nas asas de um belo sonho.
Beija-me amor meu...
Cigano amado...
Funde teu olhar tristonho no meu risonho,
Leva-me em teu mágico corcel alado!
Faz-me tua brilhante estrela, tua nívea lua.
Nesta noite de fogueira, sedução e festa,
Ofereço minha pele alva, rósea e nua...
Girando, arrebatada e ardorosa sob a tua destra.

Bordando teu corpo na leveza dos meus dedos,
No mais alucinado, voraz e selvagem delírio,
Entre voluptosos abraços...
Beijos sobre beijos,
Deste nosso tão desejado e encantado idílio.
Quero ser tua cigana...
Tua bem-amada...
Me perder na tua boca macia e orvalhada,
Adormecer no teu peito...
Feliz e realizada,
Despertar faminta e febril na madrugada...
Somos tu e eu, toda a beleza na nossa raça,
Desafiando, sem temor, toda a maldade nefasta.
Guerreando contra toda a injusta causa...
Bebendo bondade e amor na mesma taça!...
  • Poema de Marilena Trujillo
  • Telas de Maria do Carmo da Hora

13/01/2009

Cartas Ciganas, Ética e Indignação


Por algum tempo usei na internet uma imagem no qual há uma fotografia minha inserida, pois trata-se de uma montagem que fiz com Cartas de Tarô para uma publicidade. Nela existem alguns simbolismos que só eu sei o que representam, incluindo uma pequena inscrição no alto com as letras AC e o símbolo do infinito, muito visto nos arcanos de Tarô “O Mago e A Força” e o mestre ascencionado Saint Germain.
Meses atrás, encontrei no site de uma jovem senhora que se anuncia como leitora de Cartas de Ciganas a minha imagem; digo “minha” por ter um retrato meu. Fato é que escrevei a esta pessoa pedindo gentilmente que retirasse a tal foto e trocasse por outra, ainda sugeri que usasse a dela, que me pareceu ser o mais lógico! Para encontrar uma solução rápida, usei o mesmo pano de fundo e apliquei respeitosamente as Cartas Ciganas e a presenteie. A tal senhora recebeu meu presentinho, respondeu que não faria mais uso indevido de minha imagem, reconhecendo estar sendo antiética, e prontificou-se a substituir imediatamente... mas e até agora nada; já escrevi a ela várias vezes e não tenho resposta. Guardo nossos emails até hoje para eventuais necessidades.

Fica aqui o registro de minha imagem que está sendo indevidamente usada, a que fiz para esta pessoa (retirei apenas o título do site dela que eu mesma apliquei, e coloquei o deste blog), e minha fotografia estilizada que utilizei na montagem.



Em meio a todo este transtorno, o que mais me chamou atenção, foi o fato de uma “profissional” se anunciar como leitora de Cartas Ciganas e não reparar que só tem Cartas de Tarô dentro da imagem. É demais!!!


Qualquer pessoa que me procure, basta que eu tenha um tempinho extra, faço com muito prazer montagens, sejam de Cartas Ciganas ou de Tarô. O que causa indignação é a forma como esta senhora conduz o ocorrido, ou seja, desrespeita a mim como profissional seria e ética!


Taróloga Valéria Fernandes

05/01/2009

Segredos do Tarô


O som do violino corta a noite. Ele acorda os espíritos ciganos que vêm da Rússia, onde moram em castelos de pedra, ou da Espanha, onde dormem nas praças de touros. Pandeiros, palmas, cânticos de ciúme e amor deste anoitecer no acampamento, algo de sonho e de mágico. Saias vermelhas, chales negros, pulseiras douradas nas mulheres, brilham mais que a Lua, a deusa de todos os ciganos. E, enquanto aumentam os cantos e os feiticeiros se esquentam junto da grande fogueira, vamos nos, mais uma vez, tocar na poderosa e tema magia das tribos, para aprender, pela voz da mãe-dos-feitiços, segredos jamais revelados. Canta violino, bate com o pé descalço no chão, povo cigano, que e sua a noite, e suas são todas as estradas. E, entre moedas de ouro e talismãs de prata, ao cair das Cartas do Tarô, ao tilintar dos pêndulos, mostremos a sua força.


Os donos da Magia Vermelha sempre foram aos ciganos; segundo as lendas, este povo nasceu na índia. Foi no começo do mundo. Eles trabalhavam com o ouro, o bronze, a prata e adoravam a deusa do fogo, protetora de todos os que moldam o metal. Mas, num dia de revolta popular, eles foram expulsos de suas terras. E então, aos pés da divina mãe-da-tribo fizeram o juramento de andar por todos os lugares, sem pátria, já que deixaram a sua, como malditos.Contam as cantigas ciganas que a tribo andou por todo o Oriente, colheu lótus na China, tocou nos papiros do Egito, deixou-se envolver pela atração da Esfinge de Gisé, dançou nos castelos de Espanha, nas feiras portuguesas, bebeu o vinho bom da liberdade por todo o canto.

Hoje estão aqui, nas terras verde-amarelas, e andam pelas estradas de casas de sapé, ouvem rezas de lavadeiras, espiam nossa vida cabocla, lêem nossa mão. São eles os ciganos da Tribo Lua Nova, uma das mais antigas, uma das mais quentes de amor. A sorte por meio de cartas!
  • Texto de Maria Helena Farelli
  • Tela de Maria do Carmo da Hora

01/01/2009

Qual é a Carta Regente de 2009?

O que esta Carta de Tarô pode representar?

17/12/2008

Previsões 2009

A Leitura da Sorte pode ser feita por meio dos mais variados recursos e oráculos, podendo ser usados o baralho cigano, às mãos, a borra de café, a bola de cristal, os búzios, as runas entre outros. Enquanto taróloga, preparei uma Previsão para o ano de 2009 com o Tarô, que também foi uma forma que encontrei para agradecer o respeito, confiança e credibilidade que tenho recebido de diversos lugares do Brasil.
Tarô e Tarô
Para ler é só acessar o Tarô & Tarô: www.taroetaro.blogspost.com
  • Valéria Fernandes

12/12/2008

Olhar Cigano
Olhar cigano, olhar feiticeiro, cheio de mistério,
Mexe com o coração, com a libido, a fantasia…
Ateia fogo nas vestes, faz do amor um caso sério.
Inunda corpo e alma… leva à loucura na melodia!…
Olhar de mil céus e infernos ardentes, calientes….
Dança a menina dos olhos… dançam as pupilas!
Poe na boca, um gosto de morango vermelho…
Olhar cigano chama para festa, queima retinas…
Olhar cigano faz amor, paixão em um segundo.
Chama para roda, para a alegria, para a vida!
Olhar cigano eu bem conheço… bem sei!…
Faz propostas indecentes… e atrevidas!….

Olhar cigano é imbatível… sensual… fatal!
Chama para a paz, para a guerra, para a briga!
Assim é o olhar dele em mim, embriagador…
Adoro ser provocada… disputada e vencida!…
Olhar cigano, promete noites de luar sem fim…
Cheira a canela, almíscar, lavanda e jasmim…
Amor feito nas estrelas, ao som das cachoeiras!
Assim é o meu cigano, uma tocha, um estopim!
Violinos tocando, moedas caindo, a dança
Matreira, faceira, as palmas acompanhando.
Vou dançando, seus lindos olhos focalizando,
E extasiada nos seus braços me entregando!
  • Poesia de Mary Trujillo
    Tela de Maria do Carmo da Hora

23/11/2008

Ninguém é marionete!
Cada um é que faz a própria vida.
Cada escolha gera repercussões.
Cada ser é sagrado!
O amanhã é feito dos momentos presentes.
Cada um carrega o futuro dentro de si mesmo;
Suas contradições e, também, seus acertos.
Construção ou destruição?
Bênção ou maldição?
Cada um escolhe como quer ser e viver.
Cada um leva consigo mesmo a energia do que
se projeta como atitude no mundo.
Cada um é responsável pelo que pensa e sente!
Cada um faz sua música se propagar nas ondas do mundo.
Na longa fieira das vidas seriadas,
quem semear, colherá!
E, neste exato momento, cada um está fazendo o seu amanhã.
Que a semeadura seja linda, para que a colheita seja feliz!
Na vida, no amor e em qualquer coisa, cada um
faz o seu próprio caminho.
Chamam isso de causa e efeito!
Mas, as ciganas chamam de liberdade de escolha.
No baralho da vida, cada um joga com as cartas que tem na mão.
Ás ou rei? Valete ou dama?
Não importa!
O que vale é saber jogar direito com a mão que se apresenta.
As cartas são da vida e mudam de mão;
mas os jogadores são os mesmos;
Só mudam a mesa e as jogadas.
Quem quiser conhecer o seu amanhã,
que preste atenção no seu dia de hoje,
pois um é efeito do outro.

  • Tela de Maria do Carmo da Hora
Texto de autoria desconhecida

Dedico este texto a pessoa que
está usando indevidamente minha fotografia em seu site!

09/11/2008

Vida Cigana
Livre como o vento
Sigo a vida amando como nunca
Sempre durmo ao relento
Sem nenhuma regra
Vivo conforme o tempo
Sem se importar com o amanhã
Hoje é sempre é o meu dia
Sou feliz assimAdoro essa vida vadia
E esta é a minha natureza
Uns acham que é pura covardia
Não concordo
É uma questão de filosofia
Pode ser até rebeldia



Vida cigana, vida sadia
Coração cigano, coração insano
Sou cigano sem moradia
Moro em seu coração
Porque sempre muito amor irradia
Questão de estilo de vida
Pois vivo somente por um dia
E esta é a minha única tentação
Eu até que não diria
Para mim é pura emoção
Penso somente neste alegre dia
Porque vivo com o coração
O amanhã é outro dia
Vida nova em explosão
Vida cigana, vida insana
Vida livre, livre vida
Vida libertina, vida de amor
Amor à vida...
Vida ao amor...
  • Tela de Maria do Carmo da Hora
Texto: desconheco a autoria.

31/10/2008

Beleza Cigana


Que a beleza cigana possa ser atraente nos mais variados traços, nem sempre tão delicados, sem sempre tão festivos, nem sempre essencialmente juvenil, no entanto perceptivelmente sedutora, altiva e real.


Que o encantamento se faça presente nos olhos de quem vê “esta gente”, pois este povo sem terra e andarilho tem o brilho nos olhos e a desenvoltura no andar, o mais verdadeiro glamour da passarela da vida, e apresenta as mais lindas das expressões da natureza... A autêntica Beleza Cigana.
  • Texto meu.
  • Tela de Susan-Angelo DeBay

29/10/2008

Cigana Sandra Rosa Madalena


Há muitos anos atrás em Sevilha, num acampamento cigano, nasceu uma menina chamada Sandra Rosa Madalena. Ela cresceu com beleza e primor, até que um dia um conde casado a seduziu. O acampamento cigano, ao descobrir que ela estava grávida a expulsou de sua tenda, pois a cultura cigana não admite mães solteiras e suas mulheres precisam casar virgens.



Então em busca de abrigo ela procurou o conde, que com medo de escândalos, mandou matar esta pobre moça. Algum tempo depois, algumas ciganas do acampamento começaram a orar pela alma de Sandra, que começou a aparecer nos sonhos do seu povo.

Um certo dia, uma cigana ao ver a sua filha doente, rezou para que a alma de Sandra ajudasse a curar esta criança e o milagre foi feito. Após este acontecimento, o espírito de Sandra Rosa Madalena começou a fazer vários milagres para o seu povo.

Em 1979 , Sidney Magal gravou um filme sobre ciganos, cujo o tema musical era a canção Sandra Rosa Madalena .


Desconheço a autoria do texto.

27/10/2008

Casal Cigano



Sem fogueiras, sem rubis ou esmeraldas
Apenas o testemunho das águas
Guardam nossas tardes de amor encantadas.
Escuto o canto dos pássaros
Fitando os olhos de meu amado...
Neles me perco, neles me embaraço
É assim que me acho!
O coração bate acelerado, foge do compasso
São os acordes de seu banjo
Ou o desejo de me entregar em seus braços?
Não posso deixar de lembrar...
Esqueci aquele moço gajo.
  • Valéria Fernandes

25/10/2008

Cigana da Estrada

Cigana Estrada

Sou filha do Céu e da Terra; irmã da Água e do Ar. Sou o fogo na Floresta e a branca espuma no Mar. Sou a Loba; sou a Selva; sou a carícia da Relva; e a Carroça atrelada. Sou a beira e o caminho; sou um pássaro sem ninho e do galho mais fraquinho, todos me escutam cantar! Sou a menina do Dia e a amante louca da Noite; sou o alívio e o açoite, e a carne esfacelada. Sou a abelha rainha, venha provar do meu mel, pois dentro do meu casulo, você estará no céu! Se quer que lhe deixe louco entre um beijo e uma dentada, me chame de tudo um pouco, mas o meu nome é Sttrada! Na sombra, eu sou Vaga-lume; na luz, eu sou Mariposa; sou o inseto que pousa e a lâmpada que é apagada. Nasci para passar o Tempo e ficar um tempo parada, mesmo que a vida insista, em me deixar estafada, vou seguindo, sempre em frente, pois topo qualquer jogada, todos sabem que existo, pois o meu nome é Sttrada! Realizo a caminhada; sem precisar me cansar; percorro vários caminhos; importante é o Caminhar. Estou aqui, ali e acolá; o que não posso é parar. Sou casada com o poder de sempre ser encontrada,aceito qualquer roteiro, me chamam de caminheiro,mas o meu nome é Sttrada! Sou a primeira e a última, de todas as desgraçadas. Honrada ou desprezada; vil ou simplesmente sagrada; sou o som e o silêncio; sou o choro e a risada. Sou a eterna abundância; pois sempre dou importância, para a semente lançada, num solo de doce fragrância, pois o meu nome é Sttrada!



Sou o Rei e a Rainha; sou o súdito e o reinado; sou a Coroa e a Forca, o Algoz e o Enforcado. Uso a máscara da Vida, mas me confundem com a Morte. Sou o Azar e a Sorte, e, aquela que foi dispensada. Sou a bandeira da Paz, mas me trocam pela Guerra,na tirania da Terra, me vejo desapontada,porém, quem me ama não erra, pois o meu nome é Sttrada! Saindo de um turbilhão; alçando a torre encantada; me vejo como uma estrela, de Lua e Sol enfeitada. Com certeza amanhã, estarei acompanhada, do Anjo que é puro élan, de uma mulher coroada. Sou a roca, sou o fio, sou tecelã afamada, na teia eu desafio quem faça a melhor laçada, pois entre a chama e o pavio, eu tramo a trama esperada, mesmo que seja apenas, por uma curta jornada. Me coloque em sua vida, como uma moça querida, que precisa ser amada; em troca posso lhe dar, o bem maior deste mundo numa bandeja dourada. Me traga no coração pra me deixar encantada. Não me esqueça e me honre com sua gentil chamada, grite bem alto o meu nome ! Me chame, me chame, eu sou a sua "cigana estrada" !
  • Helena Rêgo/Cigana Sttrada(do Clã Calom)
Tela de Maria do Carmo da Hora

24/10/2008

21/10/2008

Romani Tarot





The Buckland Romani Tarot” é um baralho que trata da temática cigana de forma muito descontraída. Seu idealizador Raymond Buckland, inglês e com ancestralidade cigana (Gypsy), já publicou vários livros com o tema, além de tantos outros com motivos diversos e esotéricos.


O deck é ilustrado por Lissane Lake, que deu vida aos personagens de Buckland através de cores alegres e vibrantes, com cenas do cotidiano, bem adequado ao estilo do “povo sem fronteiras”.


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Os arcanos maiores possuem apenas numerações, pois segundo o autor, quem manuseia o tarô não precisa ficar preso necessariamente aos títulos tradicionais, tendo assim maior liberdade no ato de interpretação. Com os arcanos menores, as alterações vão além; não foram conservados os naipes tradicionais e houve substituições dos símbolos correspondentes aos quatro elementos da natureza encontrados normalmente nos tarôs, ficando representados da seguinte forma: Boler ou Rodas para Ouros, Chiv ou Facas para Espadas, Kosh ou Pautas para Paus e Koros ou Cups para Copas. Ou seja, nos deparamos como elementos das habilidades, ofícios, práticas, arte e linguagem dos ciganos, a exemplo das rodas de vagões, caldeirões, bidões, facas, punhais, varas, chicotes,etc.





Mesmo com todas as inovações, é bom lembrar que a produção de Raymond Buckland é mais uma baseada no deck de Waite.

  • Valéria Fernandes

www.taroetaro.blogspot.com

15/10/2008

Baralho Cigano - Os Caminhos



A Carta Cigana 22 Os Caminhos, pode ser muito perturbadora quando estamos sem saber que direção tomar e a tiramos isoladamente para nos orientar. Neste caso a sua aparição sugere que exerçamos o livre-arbítrio ao optarmos por um caminho a seguir, pois, na maioria das vezes, revela que temos mais de uma oportunidade em nossa frente, e cabe somente a quem consulta as cartas decidir que rumo tomar, arcando com as responsabilidades de sua escolha. É uma carta de encruzilhada, que pede de imediato um direcionamento para evitar a estagnação dos anseios e o sentimento de dúvida. A lâmina Os Caminhos quando aparece só não garante bom êxito e não aponta em que setor da vida do consulente precisa tomar tais decisões, exceto quando está respondendo diretamente a uma pergunta previamente elaborada, mesmo assim, o único futuro que prediz é: existe a necessidade de se fazer uma escolha, portanto faça, e arque com as conseqüências de seus atos!
  • Valéria Fernandes

www.taroetaro.blogspot.com

06/10/2008

Acampamento Cigano
A fogueira está acesa;
O tapete colorido é a mesa,
O pão e o vinho presentes,
Alimentando essa gente,
Veste esse povo,
O velho e o novo,
Mestre e aprendiz,“
Andarilhos do Mundo”
“Livres vagabundos”,
“Donos de seu próprio nariz”,
Ouça a música,
Quanta alegria,
Mística, mágica e contagia...


A mãe cigana alimenta a sua “cria”,
Seu homem vê orgulhoso
Todos sorriem e dançam,
Toda noite é uma festança,
Comemorando a vida,
Linda visão colorida,
Baila mulher cigana,Baila e mexe comigo,
Sou gadjão , sou amigo,
Me envolve me enfeitiça,
Me provoca me atiça,
Eu trago meu amuleto,
Para a minha segurança,
Eu quero entrar na dança,
Prá poder bailar contigo,
Não temas nenhum perigo,
Já que a sorte foi lançada,
Tu és a “Dama de Ouros”
Sou o seu “Rei de Espadas”,
És o meu maior tesouro.

Desconheço a autoria do texto

  • Tela de Maria do Carmo da Hora

03/10/2008

Entre muitas das belíssimas pinturas de Maria do Carmo da Hora, escolhi esta que a pintora deu o nome de “Dandara” para fazer um agradecimento à mesma por seu talento, por sua generosidade e bom gosto em todas as suas obras. Certamente que os admiradores do Povo Cigano, assim como eu, de alguma forma se tornarem dependentes de suas criações.



Maktub!!!

13/09/2008

Enigma

Querem saber como vivo? ... lhes direi...
Vivo do vento que me mantém lúcida e acordada para que eu não adormeça na caminhada.
Vivo do mar que me limpa do cansaço da luta e me recompõe para que eu continue.
Vivo das cores que me ensinam os remédios e os alimentos para que eu sobreviva forte para trabalhar.
Vivo da riqueza do meu melhor esforço...
Meu amor. Planto-o por onde passo!
Não perco nem mesmo a terra de um vaso quebrado pois ali a semente germina.


E sou feliz assim!
Sou simples pois preciso de pouco!
Sou calma pois aprendi a esperar!
Tudo vem!
E o campo arado e adubado produz coisas melhores que valem a pena ser preservadas!
Falo pouco pois optei por grandes ocupações como um trabalho escolhido de ouvir e por isso não me sobra tempo para as palavras!
Penso muito... mas corretamente!
Desejo só o necessário!
Ocupo pouco espaço!
E por isso não sofro por possuir!
Sou feliz!
Sou abençoada!
Sou reconfortada!
Sou apreciada!
Sou aquilo que todos lutam para obter!
Querem saber quem sou eu?
Já que sabem como vivo?
Sou A Paz!

  • Tela de Rita Andrade

04/09/2008

Você Veio Da Sua Exuberância. Você não veio para este tempo/espaço físico para
provar nada a ninguém, nem provar seu valor ou deixar sua marca. Você veio por
causa da absoluta exuberância pela vida. Você disse: "Vou para a experiência
física coletar dados do meu tempo e espaço. Então vou me permitir ser orientado
desde o meu interior. Vou procurar por coisas para apreciar que me façam vibrar
em harmonia com minha perspectiva maior. E ao atingir esta iluminação, ou visão
clara, serei um funil que permite vir, para este tempo/espaço, a pura e positiva
Energia ... "
Desconheço autoria

31/08/2008

  • Rosa dos Ventos
Não foi por acaso que o meu sangue que veio do Sul
se cruzou com o meu sangue que veio do Norte.
Não foi por acaso que o meu sangue que veio do Oriente
se cruzou com o meu sangue que veio do Ocidente.
Não foi por acaso nada de quem sou agora.
Em mim se cruzaram finalmente todos os lados da terra.
A Natureza e o Tempo me valeram:
séculos e séculos ansiosos por este resultado
um dia e até hoje fui sempre futuro.


Faço hoje a cidade do Antigo
e agora nasço novo como ao Princípio:
foi a Natureza que me guardou
a semente apesar das épocas e gerações.
Cheguei ao fim do fio da continuidade
e agora sou o que até ao fim fui desejo:
o Centro do Mundo já não é o meio da terra
vai por onde anda a Rosa dos Ventos
vai por onde ela vai anda por onde ela anda.
Agora chego a cada instante pela primeira vez
à vida já não sou um caso pessoal
mas sim a própria pessoa.




Texto de José de Almada Negreiros
  • Tela de Maria do Carmo da Hora

28/08/2008

Violinos




Finos acordes preenchem a solidão
a sombra dos tempos felizes
apareceu num pedaço da minha alma confinado,
inerte, sem cor, ao sabor da canção.
Violinos tocam o ar delicados pranteio,
a dor dilacera meus vãos que sofrem
e desmancham-se em saudades
sons estremecem o peito apertado.
Estendido em cada fibra do meu eué o fim,
o nada, que está gravadoentristeço,
há cheiro de morte nas mãos.
Fugaz, inútil,
eram delírios vagos revividos na dança da verdade
a música parou, despertei no chão.

  • Soninha Porto
Tela de Rita Andrade

20/08/2008

Sou Cigano



Sou feito do amor, do carinho, da ternura e do fogo ardente da paixão consumida de feitiços gitano no coração, canto e me encanto com a lua faço oração às estrelas em romani misturando os dialetos com uma magia capaz de despertar em teu ser uma louca paixão, tenho em mim o brilho das cores do mar trago nos olhos a visão verdadeira das candeias do amor que estas descrito na palma de minha mão, ando com o cabelo solto ao vento montado em meu alazão, tenho nas veias o sangue derramado de meu povo injustiçado e perseguido um eterno errante com orgulho ferido,f alo do presente desvendo teu futuro e se quiser revelo teu passado o mundo e meu quintal nada me atinge ou faz mal, pois na minha cintura trago o meu punhal, gosto da mais nobre seda com muito brilho e cor, uso anéis, colares e brincos do mais puro ouro, sou dono de uma fé inabalável fiel aos meus princípios e um amante voraz que nunca te deixara em paz...

Texto de Miguel A M Côrrea

  • Tela de Maria do Carmo da Hora

18/08/2008

Cigana Damira

Conta a tradição que, certa vez, uma cigana sentada em uma grande almofada colorida, no interior de sua tenda, quando em sua frente formou-se um clarão azul-celeste. Deste clarão, surgiu a imagem de uma linda mulher, sem características de cigana, mas parecendo uma daquelas deusas da mitologia grega.

A mulher usava uma longa túnica e um véu que cobria seu nariz e sua boca, deixando descoberto somente seus grandes olhos negros.

A linda mulher começou a falar com a cigana, usando um dialeto que ela desconhecia, mas que sua mente captava e transformava em uma mensagem:

“A partir de agora, cigana, você usará pedras em suas magias. Bem perto daqui, existe uma gruta repleta de pedras. Vá até lá e apanhe muitas pedras coloridas”.

Em seguida, o clarão se desfez, levando consigo a imagem da mulher.

A cigana ficou muito assustada com tudo que acontecera, principalmente porque pedras não faziam parte dos rituais de seu povo. Levantou-se e foi caminhar pelos montes, onde existia uma cachoeira. De repente, observou que havia uma grande abertura nas rochas da cachoeira, e lembrou da mensagem que ouvira. Caminhou até a rocha, passou pela grande abertura e avistou uma gruta com muitas pedras, todas cheias de pontas e das mais variadas cores. Até parecia que um arco-íris estava ali, dentro da gruta.

A cigana voltou ao acampamento, apanhou uma candeia para clarear a gruta, que era um pouco escura, e uma ferramenta com que pudesse bater nas pedras e quebrá-las em pequenos pedaços; e foi para a gruta na cachoeira.

Algum tempo mais tarde, saiu da gruta e voltou para o acampamento levando muitas pedras pontiagudas de várias cores; espalho-as no tapete de sua tenda e começou a admirá-las. As pedras transmitiam uma luz e uma força que a cigana desconhecia. Nesse momento, apareceu o mesmo clarão com a imagem da linda mulher, e a mente da cigana captou uma nova mensagem:

“Essa será sua nova magia. A magia das pedras e dos cristais. Eu lhe darei a força da Atlântida e você será a primeira mensageira dos cristais do planeta Terra. Com os cristais, você e seu povo farão mentalizações para todas finalidades: curar doenças, atrair sorte e prosperidade no amor e nos negócios, afastar negatividade e muito mais.”


Em seguida o clarão azul e a linda mulher desapareceram.


Texto de A na da Cigana Natasha
  • Tela de Maria do Carmo da Hora

19/06/2008

Meu Amor Cigano

Danças ao redor do fogo,meu adorado Cigano.
Teu corpo suado, teu olharque penetra minh'alma,
tal qual um punhal de prata,
tocando meu coração,
me instiga a seguí-lo nesta dança Cigana.

Entrego-me em teus braçosmeu adorado Cigano,
me apertas contra
teu peito,
fazendo-me flutuar nos passos desta dança,
ao som de violinos que nos excita,
e nos envolve em fortes desejos.

Teu olhar, tuas mãos
quentes,teus passos firmes e bem cadenciados
nos levam a bailar ao redor do
fogoque brilha intensamente
fazendo-se arder em nossos corpos o calordo desejo,
da entrega, neste Amor Cigano!
  • Autoria: Thais S Francisco